Manaus/AM - Enquanto nas 27 capitais atuavam 54% dos 546 mil médicos brasileiros ativos em dezembro de 2022, atendendo o equivalente a 24% da população do País, no interior, onde vive 76% da população, trabalhavam apenas 46% desses profissionais.
A região em pior situação era a Norte, pois detém 8,8% da população brasileira e contava com o trabalho de apenas 4,6% dos médicos. A maioria desses profissionais seguia concentrada nas regiões Sul e Sudeste, nas capitais e nos grandes municípios.
Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), denominada a Demografia Médica 2023, divulgada hoje (24) no Portal do órgão. O levantamento mostra que o número de médicos ativos com registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) é suficiente para atender as necessidades da população, mas em milhares de cidades, há falta desses profissionais.
De acordo com os dados, em 49 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, que concentravam 32% da população, atuavam 62% dos médicos do País, enquanto em 4.890 municípios com até 50 mil habitantes, onde moram 65,8 milhões de pessoas, estavam pouco mais de 8% dos profissionais da área, ou seja, em torno de 42 mil médicos.
As capitais têm em média 6,21 médicos por mil habitantes e, no interior, esse índice é de 1,72. As diferenças também ocorrem entre as regiões brasileiras.
O Nordeste abriga 27% dos brasileiros e 18,5% dos médicos. Já o Sudeste tem 42% da população e 53% dos profissionais, enquanto o Sul e o Centro-Oeste abrigam, respectivamente, 14,3% e 7,8% da população e têm 15,7% e 8,4% dos médicos do País.
Além de inovar ao incluir buscas por municípios agrupados segundo porte populacional, a ferramenta também permite conhecer dados de capitais e do interior juntas, as 27 capitais brasileiras reúnem 54% dos médicos, apesar de responderem por 24% da população do País.
O levantamento mostra que a desigualdade na distribuição de médicos pelo território brasileiro é resultado da opção dos profissionais por se instalar nos estados do Sul e do Sudeste e nas capitais devido às condições de trabalho, diz o levantamento. A falta de investimentos em saúde, a existência de vínculos precários de emprego e da ausência de perspectivas nos municípios do Norte, no Nordeste e nos municípios mais pobres são as principais queixas dos médicos para evitar esses locais, explicou o presidente do CFM, Hiran Gallo.
Hiran defendeu a aplicação de políticas de atração e fixação dos médicos, pois caso isso não aconteça, essa desigualdade se manterá e a qualidade do serviço público de saúde não atingirá o padrão de qualidade desejado.

