Excesso de lotação, detentos infectados por doenças transmissíveis e ameaças de morte entre os próprios internos. Estes são alguns dos problemas encontrados pelo Grupo de Monitoramento Carcerário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), no presídio de Humaitá – a 590 Km de Manaus em linha reta -, onde um detento foi assassinado e outro ficou gravemente ferido durante uma rebelião ocorrida no último dia 11 de novembro.
A inspeção do presídio foi feita pelo desembargador Sabino Marques, que preside o Grupo de Monitoramento, nos dias 17, 18 e 19 de novembro. O resultado da inspeção está contido em um relatório encaminhado hoje de manhã, 23/11, ao presidente do Tribunal, desembargador João Simões. Também hoje pela manhã, o desembargador teve uma reunião com o deputado Alcimar Maciel Pereira, presidente da Comissão de Segurança Pública, para discutir os detalhes da reunião de uma audiência pública que será realizada no dia 15 de dezembro envolvendo vários segmentos ligados à questão carcerária.
— Decidimos realizar a inspeção em Humaitá porque o secretário adjunto dos Direitos Humanos e Secretaria de Justiça e Cidadania, coronel Bernardo da Encarnação encaminhou o expediente alertando sobre a situação preocupante no presídio que ocorreu um homicídio – explicou Sabino Marques.
O que gerou o motim no presídio foi a entrada do detento Antônio Roberto Monteiro, 43, o “Antonhozinho” que foi preso sob acusação de ter estuprado, assassinado e ocultado o cadáver, de uma menor de 12 anos, em uma comunidade do interior. Com a chegada do acusado, os internos resolveram fazer “justiça com as próprias mãos”, ferindo um segundo interno que tentou defender “Antonhozinho”.
— A partir do momento que foi encarcerado, o cidadão acusado de ter estuprado uma menor de idade foi espancado até a morte. Um outro ficou bem lesionado e ainda se encontra hospitalizado em Porto Velho – relatou o desembargador Sabino Marques.

