Do Alvorada para o mundo! Relembre a trajetória de José Aldo antes de decolar em carreira lendária

Por Portal do Holanda

05/12/2021 9h56 — em Manaus

Foto: Reprodução/Instagram

José Aldo mais uma vez teve o seu posto de “Lenda” do UFC consagrado, após vencer o estadunidense Rob Font neste sábado, em Las Vegas.  Foi a sua terceira vitória seguida, o que não acontecia há sete anos.

Aos 35, o manauara que fez história no peso pena tem mais uma chance de conquistar o cinturão, agora na categoria do peso galo, mostrando que ele esteve certo em desistir da aposentadoria anunciada em 2016.

Com essa implacabilidade, o mundo se rende ao brasileiro. Na madrugada deste domingo, ele foi exaltado por colegas e espectadores como “Lenda”, e  “Rei do Rio” - título que ganhou por nunca ter sido derrotado na Cidade Maravilhosa, onde ele mora com a família.

Mas em Manaus, as raízes são mais profundas. O atleta carrega com orgulho a sua origem e é sempre inspiração aos conterrâneos. 

Nascido na capital amazonense, no dia 9 de setembro de 1986, José Aldo da Silva Oliveira Júnior começou a sua trajetória nas artes marciais na década de 90, quando ainda carregava o apelido de “Caroço” nas ruas do Alvorada, bairro da zona Centro-Oeste.

O empurrão para isso acontecer veio do seu primo e amigo inseparável, André Luiz, o “Açaí”, que ganhou uma bolsa para a academia de Márcio Pontes, de Jiu-Jitsu. “Caroço” foi junto.

Logo o foco de Aldo, na época ainda chamado de Júnior, se destacava. Ele buscava aprender todas as técnicas e posições o que podia, chegando a ir atrás dessa vivência em outras equipes, para além da academia. 

Não demorou muito para Aldo se espelhar no treinador e também fazer judô e participar de campeonatos. Com pouco dinheiro em casa e muitas vezes sem ter o que comer, participar dos campeonatos foi um desafio que Márcio Pontes ajudou a driblar. Márcio, que já foi ambulante no Centro de Manaus vendendo tucumã, chegou a trocar a fruta com o presidente da federação, em troca da inscrição do aluno. 

José Aldo conseguiu a decolagem em 2004, com a ajuda do também manauara Marcos “Loro” Galvão, que ajudou a abrir as portas no Rio de Janeiro. Na época, o lutador quatro anos mais velho dormia no tatame da academia Nova União, na Praia de Botafogo, e embora a comida fosse escassa, convidou Júnior para treinar por lá. 

No dia seguinte, lá estava Aldo, que partiu de Manaus com uma mochila nas costas, e foi a pé do Aeroporto de Santos Dumont para a academia, na zona Sul. Lá, eles precisavam muitas vezes dormir mais cedo para não sentir tanta fome, ou dividir uma marmita.

“Foi duro largar o conforto familiar, a minha cama, a minha casa. Abdiquei de tudo isso para dormir em cima de um tatame. Quando todo mundo ia embora da academia, ficávamos o "Loro" e eu olhando os carros da janela. Nós nos perguntávamos: "Isso vai dar certo? Esse é o caminho certo?" Acordei várias vezes de manhã chorando, sem saber por que estava ali, num lugar sujo, ruim. Bem no fundo do coração eu falava que estava no caminho certo, fazendo por onde, que isso um dia ia virar, assim como virou. Aqueles tempos foram difíceis, mas foram importantes para a base que tenho, foram muitos ensinamentos bons. Se sou um campeão sólido e tomo determinadas decisões, é por causa de tudo que enfrentei no passado.”, relembrou Aldo em entrevista ao Combate, em 2015.    


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