Caso as ameaças contra a Zona Franca de Manaus sejam mesmo concretizadas, os políticos do Amazonas que formam na base política do governo federal precisam ter coragem para defender o modelo e a população do Estado, recorrendo ao STF (Supremo Tribunal Federal), como já aconteceu no passado. É preciso defender a Zona Franca mesmo que seja “brigando, rompendo” (com o governo), mas fazendo aquilo que é obrigação da classe política amazonense. Foi o que afirmou, nesta quinta-feira 30, o deputado Vicente Lopes (PMDB), durante a sessão plenária na Assembleia Legislativa, quando vários parlamentares criticaram declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Exterior, Fernando Pimentel.
Na última quinta-feira, o ministro disse que a Zona Franca de Manaus está ameaçada “em função da mudança de paradigma de produção industrial no mundo inteiro” e ainda sugeriu que o modelo busque nova vocação, como uma economia de base ecológica. “Quando Fernando Henrique era presidente, editou uma medida contra a Zona Franca e o governante da época (Amazonino Mendes) teve a coragem de entrar no Supremo Tribunal federal. Espero que a base política que dá sustentaçãopolítica a esse governo, tenha a coragem de ir ao STF, para que a nossa população não venha sofrer pela nossa omissão, nossa incompetência de ver as coisas como devem ser vistas. Não se deve fechar os olhos para uma coisa chamada base de sustentação do governo, por conta desse alinhamento político, em prejuízo da nossa gente”, afirmou Vicente Lopes.
De acordo com o deputado, não está havendo reciprocidade do governo federal com o Amazonas, mas ele ainda acredita na classe política que representa o Estado. “Acredito piamente que a classe política do Amazonas não vai se curvar, não vai se deixar vencer por aqueles que estão ocupando o poder com a contribuição do povo amazonense, mas não estão olhando para nós com a mesma reciprocidade e responsabilidade com que os amazonenses olharam para eles na época da campanha eleitoral”. “O que nós precisamos fazer é defender a Zona Franca, mesmo brigando, rompendo, mas fazendo aquilo que é nossa obrigação. Não podemos é assistir, passivamente, o ministro ir à a televisao e dizer que a Zona Franca não tem mais esperança de sobreviver e temos de buscar outra alternativa”.
BR-319
Vicente Lopes voltou ao assunto da BR-319 (Manaus-Rondônia), cuja construção foi prometida também na última campanha presidencial. “Quantas vezes foi dito ao povo do Amazonas que a BR-319 seria construída?”, questionou. Para o restante do país, segundo o deputado, a estrada pode até não significar nada. Mas para o Amazonas significa tirar o Estado do isolamento, ligando-o ao restante do país, além de contribuir para melhor escoamento dos produtos da Zona Franca para o Sul e Sudeste. E esse foi o compromisso da atual presidente da República, Dilma Rousseff, a quem o povo do Amazonas deu a maior votação proporcional do país, lembrou o deputado.
A BR-319, afirmou Vicente Lopes, existe há mais 40 anos. E se não houve “competência para mantê-la trafegável o tempo todo, hoje poderia ser recuperada perfeitamente, já que o governo federal tem recursos”. Para ele, como a estrada já existe há tantos anos, o que se pretende é apenas a sua recuperação. Por isso não entende qual dano ambiental mais vai causar com a recuperação. “Há uma regra na vida: tudo tem custo, vemos isso no dia a dia. O que vale mais: as árvores que estão no trajeto da BR-319 ou o desenvolvimento de milhões de pessoas que moram naquela região?”, insistiu.

