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Crise na advocacia trabalhista causa migração para Juizados Especiais em Manaus

Crise na advocacia trabalhista causa migração para Juizados Especiais em Manaus
Crise na advocacia trabalhista causa migração para Juizados Especiais em Manaus

Manaus/Am - Sancionada há dois anos e em vigor desde novembro de 2017, a nova lei levou à diminuição na quantidade de processos apresentados à Justiça do Trabalho. O motivo, segundo especialistas, é que agora as pessoas correm o risco de ter de pagar custas e honorários se perderem a ação.

A Lei 13.467/2017 representa alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) afetando inúmeros direitos e deveres do empregador e empregado, e também dos operadores da Justiça, que tendem a lidar no seu dia a dia com inúmeros casos trabalhistas.

A redução nas ações foi sentida de perto por quem faz a ponte entre os trabalhadores e a Justiça: os advogados. Muitos deles migraram até para os Juizados Especiais, na área do Direito do Consumidor.

No entanto, com o passar dos últimos anos, a saída para os Juizados Especiais por parte destes advogados trabalhistas levou a uma crescente demanda e acúmulo de processos.

Por algum tempo, as unidades em Manaus conseguiram dar conta dos processos de forma ágil e eficaz, como a lei prevê. Porém, hoje, sem reforma há 26 anos desde a criação dos Juizados Especiais, as dificuldades como o aumento do número de ações e a carência de estrutura para atendê-las colocam em risco o funcionamento, o que acarreta no acúmulo de processos e prejudica consumidores.

Moisés conta que o escritório, que estava há 15 anos, focado na área trabalhista, tinha a maior parte do faturamento oriunda das ações apresentadas à Justiça do Trabalho. Mas o cenário mudou.

Com a queda na demanda dos trabalhadores que buscam a Justiça do Trabalho, desde o começo de 2018, o advogado passou a buscar outras áreas de atuação.

“Tive a redução de 50% de clientes, pois os reclamantes ficaram com medo de serem condenados em custas e honorários advocatícios, imagina você entrar na justiça para ganhar seus direitos, não conseguir provar e ainda ser condenado a pagar valores que não tem”, conta Cavalcanti.

Ele, que atua na área trabalhista desde 2006, começou a se especializar em outras áreas.

Para a vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB/AM), Grace Benayon, o movimento de redução nas ações não deve ser visto como positivo. Segundo ela, antes se faziam acordos em torno de R$ 500 mil, hoje, não existe mais essa possibilidade. Além disso, a advogada confirma a migração dos advogados trabalhistas para os Juizados Especiais.

“Inúmeros foram os impactos da reforma trabalhista para a advocacia. Foi necessário ressignificar a advocacia trabalhista e alguns colegas buscaram novos nichos de mercado. Inúmeros escritórios migraram ou incluíram a advocacia previdenciária que cresceu muito neste período, além do Direito Consumidor”, pondera.

O Amazonas possui 16,2 mil advogados inscritos. Só no último exame, foram aprovados 519 advogados, conforme dados da OAB/AM. O número de advogados é superior para a quantidade de varas e turmas recursais. No total, são apenas 16 varas e somente três turmas recursais de 12 juízes para o estado inteiro.

Os juizados fazem o que podem com a estrutura existente. A quantidade de juízes, servidores e defensores públicos (necessários para auxiliar em casos mais complexos) é insuficiente para atender os casos com a rapidez e eficiência necessária.

Os números

Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que a quantidade de novos casos teve um pico em novembro de 2017 - foram quase 290 mil ações naquele mês - e, depois, caiu.

De forma geral, os novos casos somavam mais de 200 mil por mês até a reforma entrar em vigor, chegando a superar 250 mil em alguns meses. Após a nova lei entrar em vigor, os números não atingiram esse patamar em nenhum mês.

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