Para ele, das questões já aprovadas pela Comissão do Senado, algumas são "minimamente consensuais", como o fim das coligações para eleições proporcionais. "O fim das coligações proporcionais todos defendem. Só que aí os pequenos partidos se perguntam: ‘e qual seria a nossa alternativa? A federação? Mas a federação é coligação com outro nome". Daí então que o PMDB defende o voto direto, pois no voto direto, o PCdoB, por exemplo, não teria problema. Porque aqueles candidatos bons de voto seriam eleitos. O mesmo vale para o PRTB, porque os bons de voto seriam eleitos. O que muda é que você precisa ter, em cada partido, um candidato bom de voto e, se um partido pequeno não puder coligar com os grandes, isso criará dificuldades de negociação", explicou Braga em entrevista na sala de imprensa da Casa.
O ex-governador do Amazonas citou o caso do fen?meno de votos em São Paulo, o palhaço e hoje deputado federal Tiririca (PR), como exemplo de certas negociações. "Nós sabemos que os Tiriricas da vida acabam sendo candidatos, muita vezes até com candidaturas compradas, negociadas. Esse é o meu medo, por exemplo, nas listas fechadas, pré-ordenadas porque, quem vai encabeçar a lista precisa vir de um amplo debate. Mas, tirando aqueles que são ideológicos, os partidos pequenos, geralmente não possuem esse mecanismo. E aí vamos ter uma negociação muito complicada, que precisa ser acompanhada e fiscalizada" .
Braga também insistiu na necessidade de ouvir a população, para saber que tipo de reforma o Brasil deseja. "Que modelo e que sistema político o Brasil quer? O voto direto e majoritário? Voto distrital? Voto distrital misto? O quer o Brasil na reforma política?", indagou. Ele também explicou que a proposta de reforma política no Senado está mais adiantada no Senado do que na Câmara dos Deputados. "No dia 20 de maio nós já vamos apresentar as propostas de mudança formal da legislação, ou seja, aquilo que passou com maioria simples na Comissão (da reforma eleitoral)”, contou.

