A prisão de um homem que se apresentava como pastor na comunidade da BR-319, em Manaus, revelou detalhes ainda mais perturbadores sobre sua conduta criminosa. Além de abusar sexualmente da enteada desde os 5 anos de idade, ele teria transmitido uma doença sexualmente transmissível à vítima, hoje com 14 anos.
O delegado David Jordão, responsável pelo caso, destacou a gravidade da situação: “Esta criança, depois adolescente, teve um histórico de passagem por uma infecção sexualmente transmissível. Ela também passou por depressões e sangramentos, que a família acreditava ser algo de uma doença comum ou reflexo da ausência do pai biológico. Mas todos os pontos se ligaram”.

Segundo o delegado, o suspeito usava a imagem de líder religioso para intimidar e silenciar denúncias. “Podemos dizer que era um falso profeta, que utilizava essa autoridade eclesiástica para suprimir as informações da vítima”, afirmou. Ele aceitava ser chamado de pastor, embora não tivesse qualquer vínculo oficial com instituições eclesiásticas.
A vítima só conseguiu denunciar quando saiu do Amazonas e foi acolhida por uma tia em São Paulo. “A vítima relatou de forma muito emocionada que sofria abuso por parte do padrasto desde os 5 anos de idade. E só teve condição de relatar aquilo que vivenciou quando saiu do estado”, disse o delegado Henrique Brasil.

O delegado David também lembrou que o homem já havia sido denunciado em 2024 por convidar adolescentes a assistir vídeos pornográficos. “Não se trata de uma ocorrência isolada, mas de uma pessoa que tem interesse em lesionar sexualmente crianças e adolescentes”, reforçou.
Apesar de negar os crimes em interrogatório, as provas levantadas até agora apontam para um crime bárbaro. “As provas que nós levantamos até este momento, nessa investigação preliminar, apontam para o cometimento deste crime bárbaro”, declarou.
O delegado fez questão de alertar os pais sobre os sinais que podem indicar abuso: “Cada sinal pode ser característico de um possível abuso. A criança apresentava características de vítima, mas não foi percebido. Reforçamos nossos canais de denúncia: 181, Disque 100 e 197. Estamos aqui para estar do lado da população de bem, que não aceita esse tipo de crime”.
O falso pastor foi preso no conjunto Boas Novas, em Manaus, após um trabalho conjunto entre as polícias do Amazonas, São Paulo e Minas Gerais, e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil acredita que outras vítimas da comunidade possam surgir, ampliando o alcance das denúncias contra o homem que se escondia atrás da fé para praticar abusos sistemáticos e transmitir doenças à vítima.




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