Por Dave Sherwood e Ayose Naranjo
HAVANA, 8 Jul (Reuters) - Protestos esporádicos eclodiram por Havana na noite de terça-feira, com moradores batendo em panelas, buzinando e gritando “acendam as luzes”, enquanto milhões de cubanos permaneciam sem energia elétrica em meio a um bloqueio de combustível imposto pelos EUA que já dura seis meses.
Cuba sofreu uma queda de energia em todo o país na segunda-feira — a terceira deste ano — e, embora as autoridades tenham afirmado que a maior parte do país já havia sido reconectada à rede elétrica da ilha até o final da terça-feira, muitos continuavam no escuro e sem eletricidade, no momento em que a ilha não dispõe de combustível suficiente.
A UNE, operadora da rede elétrica do país, informou ter restabelecido a conexão da rede de Pinar del Río, no extremo oeste de Cuba, até Holguín, no leste. Santiago de Cuba, a segunda maior cidade da ilha, permanecia desconectada e sem energia, segundo as autoridades.
Em janeiro, os EUA cortaram o fornecimento de combustível a Cuba e, em seguida, impuseram novas sanções que provocaram um êxodo de empresas estrangeiras e um colapso quase total do turismo, numa tentativa de forçar o governo da ilha a sentar-se à mesa de negociações.
Os EUA buscam derrubar o governo comunista de Cuba e têm exigido eleições democráticas e a libertação de presos “políticos”.
Cuba e as Nações Unidas afirmam que as sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, constituem uma violação do direito internacional e dos direitos humanos dos residentes da ilha.
Centenas de moradores exaustos nos bairros periféricos de Jaimanitas e Santa Fé, em Havana, saíram às ruas, enquanto outros se sentavam nas portas de casa e nas calçadas durante a noite quente, jogando dominó ou conversando com vizinhos enquanto aguardavam o restabelecimento da energia elétrica.
Muitos, agora acostumados a apagões que duram 30 horas ou mais, já haviam se resignado a mais uma noite espantando mosquitos e dormindo pouco.
“Não vejo uma solução rápida para esse problema”, disse Amauri González, um morador local que havia saído de casa para tomar um pouco de ar fresco. “Nossas usinas de energia estão obsoletas e não há combustível.”
Em algumas áreas de Santa Fé, a energia voltou logo após o início da batida de panelas, fazendo com que os manifestantes corressem para suas casas para aproveitar a ocasião.
De acordo com autoridades cubanas e norte-americanas, as negociações entre os dois países estão estagnadas.
O embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, afirmou em um debate na terça-feira sobre as sanções dos EUA na Assembleia Geral da ONU que o governo de Cuba era o responsável pela falta de energia.
“Mudem seus hábitos e acendam as luzes novamente para o seu povo”, disse ele.
A grande maioria dos países que se manifestou durante o debate, no entanto, pediu a Washington que acabe com o bloqueio e revogue as sanções que têm prejudicado a economia da ilha.
(Reportagem de Dave Sherwood e Ayose Naranjo, em Havana)



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