A disputa pelo Governo do Estado, pelo Senado e pela Câmara dos Deputados exigirá dos candidatos muito mais do que promessas para saúde, educação e infraestrutura. A defesa das fronteiras, o combate ao crime organizado e a afirmação da soberania brasileira na Amazônia precisam ocupar lugar central no debate, porque dizem respeito ao presente e ao futuro da região.
Foi nesse contexto que ganhou relevância o alerta do Itamaraty ao mencionar, em respostas encaminhadas à Câmara dos Deputados, os possíveis desdobramentos internacionais da classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Ainda que se trate de uma hipótese, o documento chama atenção para um aspecto sensível:
A Amazônia está no centro de interesses geopolíticos que ultrapassam as fronteiras nacionais.
O Amazonas conhece essa realidade melhor do que qualquer outro Estado.
Facções criminosas que nasceram nos grandes centros expandiram suas atividades para a região, atraídas pela imensidão das fronteiras, pela logística dos rios, pelo tráfico internacional de drogas, armas e minérios e pela histórica ausência do poder público em extensas áreas da floresta. Esse vazio estatal alimenta o crime e amplia as vulnerabilidades da soberania nacional.
Por isso, os candidatos não podem limitar seus discursos à segurança pública tradicional.
O eleitor amazonense tem o direito de saber quais propostas existem para fortalecer a presença do Estado nas fronteiras, integrar inteligência, Forças Armadas, Polícia Federal e forças estaduais, proteger os povos da região e enfrentar o crime organizado sem perder de vista os desafios ambientais e a crescente pressão internacional sobre a Amazônia.
A eleição de 2026 oferece uma oportunidade rara para elevar o nível desse debate. A Amazônia deixou de ser apenas uma pauta regional.
Hoje ela ocupa posição estratégica na segurança, na economia, no meio ambiente e na política internacional. Quem pretende governar o Amazonas ou representar o Estado em Brasília precisa demonstrar que compreende essa nova realidade e está preparado para defendê-la.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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