Taxas dos DIs acompanham Treasuries e caem após dados de inflação dos EUA
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a sexta-feira em baixa, acompanhando o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries após dados mostrarem uma inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos.
O movimento foi mais perceptível entre os contratos de longo prazo, que geralmente são mais afetados pelo cenário externo.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,625%, ante o ajuste de 12,636% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,405%, em queda de 5 pontos-base ante 13,451%.
No meio da manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em janeiro, após alta não revisada de 0,3% em dezembro. O resultado ficou levemente abaixo da projeção de economistas consultados pela Reuters, de aumento de 0,3%.
Após os números, os rendimentos dos Treasuries passaram a cair, com o CPI reforçando as apostas de que o Federal Reserve irá realizar este ano pelo menos duas reduções da taxa de juros, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%.
“O CPI veio em um ritmo positivo para janeiro, o que sugere bastante tranquilidade. Não seria descabido pensar em três cortes de juros pelo Fed este ano”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research. “O mercado vinha com dois cortes, mas aumentaram as chances de três, com um terceiro em dezembro”, acrescentou.
Neste fim de tarde, o mercado de títulos norte-americano precificava 90,2% de probabilidade de o Fed manter sua taxa de juros em março, contra 9,8% de chance de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch. Antes do CPI os percentuais eram de 92,1% e 7,9%.
No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o recuo dos Treasuries e passaram a registrar baixas, ainda que contidas, principalmente entre os contratos de prazos mais longos.
Às 14h39, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 13,380%, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste da véspera.
As taxas futuras recuaram a despeito de o dólar ter sustentado ganhos ante o real, com parte dos investidores em busca da segurança da moeda norte-americana antes do feriado prolongado de Carnaval, que mantém os mercados no Brasil fechados na segunda e na terça-feira.
Na próxima segunda os mercados também não abrem nos EUA em função do feriado do Dia do Presidente.
Às 16h32, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 4,056%.
Pela manhã, sem impactos maiores na curva, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo encerraram 2025 com alta acumulada de 1,6%, bem abaixo do avanço de 4,1% visto em 2024. Em dezembro, houve retração de 0,4% na margem, pior que a expectativa de queda de 0,2% de economistas consultados pela Reuters.
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