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Kremlin diz que perspectivas de paz não melhoraram com mudanças da UE em propostas dos EUA

Reuters

Por Guy Faulconbridge e Gleb Stolyarov

MOSCOU, 21 Dez (Reuters) - O principal assessor de política externa do presidente russo Vladimir Putin disse neste domingo que as mudanças feitas por europeus e por Kiev nas propostas dos Estados Unidos para o fim da guerra na Ucrânia não melhoraram as perspectivas de paz.

As propostas elaboradas pelos EUA para o fim da guerra de quase quatro anos, que vazaram para a mídia no mês passado, levantaram preocupações europeias e ucranianas de que elas estavam muito inclinadas a favor da Rússia e que o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, pode forçar Kiev a ceder demais.

Desde então, negociadores europeus e ucranianos têm se reunido com enviados de Trump em uma tentativa de acrescentar suas próprias propostas às minutas dos EUA, embora o conteúdo exato da proposta atual não tenha sido divulgado.

O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, disse a jornalistas em Moscou que as mudanças europeias e ucranianas não aumentarão as chances de paz.

"Isso não é uma previsão", disse Ushakov a agências de notícias russas, embora tenha dito que ainda não tinha visto as propostas exatas no papel.

"Tenho certeza de que as propostas que os europeus e ucranianos fizeram ou estão tentando fazer definitivamente não melhoram o documento e não melhoram a possibilidade de se alcançar a paz a longo prazo."

ENVIADO DE PUTIN

Ushakov fez as comentários depois que o enviado especial de Putin, Kirill Dmitriev, se reuniu na Flórida no sábado com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner. Dmitriev disse que as conversas continuariam no domingo.

A reunião de Miami ocorreu após conversas dos EUA na sexta-feira com autoridades ucranianas e europeias.

O que está em jogo é se Putin concordará com o fim do conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o futuro da Ucrânia, até que ponto as potências europeias serão deixadas de lado e se um acordo de paz intermediado pelo atual governo norte-americano será ou não duradouro.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse no sábado que a Ucrânia apoiará uma proposta norte-americana de conversações em três vias com EUA e Rússia se isso facilitar mais trocas de prisioneiros e abrir caminho para reuniões de líderes nacionais.

Ushakov disse que uma proposta para conversações em três vias não havia sido discutida seriamente por ninguém e que não estava sendo trabalhada.

A Rússia afirma que os líderes europeus têm a intenção de arruinar as negociações de paz, introduzindo condições que eles sabem que serão inaceitáveis para a Rússia, que tomou de 12 a 17 km² (4,6 a 6,6 milhas quadradas) do território ucraniano por dia em 2025.

A Ucrânia e os líderes europeus dizem que não se pode permitir que a Rússia atinja seus objetivos depois do que eles consideram uma apropriação de terras no estilo imperial.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, após oito anos de combates no leste da Ucrânia, desencadeando o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde o auge da Guerra Fria.

Putin apresenta a guerra como um momento decisivo nas relações com o Ocidente, que, segundo ele, humilhou a Rússia após a queda da União Soviética em 1991, ampliando a Otan e invadindo o que ele considera a esfera de influência de Moscou.

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