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Exportação de café solúvel do Brasil para os EUA recua 28% em 2025 diante de tarifas, diz Abics

Por Reuters

28/01/2026 16h32 — em
Geral



SÃO PAULO, 28 Jan (Reuters) - A exportação de café solúvel brasileiro para os Estados Unidos, maior mercado do produto nacional, recuou 28,2% em 2025 ante o ano anterior, para o equivalente a 558.470 sacas de 60kg, impactada pelas tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump, de acordo com dados detalhados publicados nesta quarta-feira pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

O café solúvel seguiu tarifado em 50%, não sendo contemplado com a isenção recebida pelo grão verde, que foi atingido pelas taxas entre agosto e uma parte de novembro.

A isenção veio após pressão de indústria e dados inflacionários dos EUA, com o preço do café subindo por conta da redução das exportações brasileiras para os norte-americanos diante da tarifa. Mas o setor de café solúvel não foi contemplado.

"No período da aplicação dessa tarifação de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais drástica", disse o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, destacando que o recuo nos embarques nos cinco últimos meses de 2025 foi de 40% ante o mesmo período do ano anterior.

"Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel nacional nesse mercado vital."

O recuo nos embarques para os EUA colaborou para uma queda de 10,6% nas exportações totais de café solúvel do Brasil em 2025, para 3,69 milhões de sacas, na comparação com 2024.

Por outro lado, as divisas geradas com os embarques do produto nacional para todos os destinos atingiram um crescimento de 14,4% ante 2024, marcando um recorde de US$1,099 bilhão.

"Atribui-se esse aumento no valor, apesar da queda no volume, à valorização da cotação da matéria-prima, tanto dos cafés arábicas, quanto dos canéforas (conilon e robusta), o que elevou o preço do solúvel no mercado", explicou Lima.

Os embarques para a Argentina, segundo principal destino, cresceram 40%, mas os volumes são menos expressivos que os registrados para os EUA (291.919 sacas). A Rússia foi o terceiro maior cliente, com 278.050 sacas, alta de 9,8%.

A Abics destacou que importantes países produtores de café também aparecem entre os importadores do café solúvel do Brasil, como Indonésia, com 165.308 sacas; México, com 128.595 sacas; Vietnã, com 118.691 sacas; e, principalmente, Colômbia, que ampliou as compras em 178,2%, para 130.029 sacas.

De acordo com Lima, o tarifaço imposto pelos EUA e a queda nas exportações para o principal importador do café solúvel do Brasil apontam a necessidade de o país buscar um possível redirecionamento do produto a outros mercados, porém o cenário é desafiador, já que outros mercados importantes também têm tarifas, como União Europeia, China, Japão.

Diante disso, a busca por novos mercados e a intensificação das negociações de acordos comerciais são imperativas, defendeu Lima.

RECORDE NO MERCADO INTERNO

Se a exportação sofreu em 2025, o consumo interno de café solúvel alcançou um novo recorde no Brasil no ano passado, com 1,170 milhão de sacas, montante que representa crescimento de 9,5% na comparação com 2024, segundo a associação.

"Essa performance reflete uma preferência crescente do consumidor brasileiro por essa modalidade de café e o sucesso das estratégias das indústrias de solúvel para o mercado doméstico", disse o executivo.

"A menor inflação sobre o produto -- 34% no acumulado de 2024/25 contra 75% do torrado e moído -- também deve ter contribuído", analisou.

(Por Roberto Samora)


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