Ação da Raízen amplia correção negativa após alta em janeiro e volta a ficar abaixo de R$1
2 Fev (Reuters) - As ações da Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, desabavam nesta segunda-feira, aprofundando a correção negativa após terem flertado com uma máxima em quatro meses na semana passada, acima de R$1.
A companhia, uma joint venture da Cosan e da Shell que também atua na distribuição de combustíveis, tem lidado com endividamento elevado, o que gera expectativa de uma injeção de capital.
A Raízen reportou na última quarta-feira moagem de 10,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no terceiro trimestre do ano safra 2025/2026, uma queda de 23% sobre o mesmo período do ano anterior. A produção de açúcar equivalente caiu quase 17% no período.
No pregão seguinte, chegou a avançar 4,6%, a R$1,13, buscando a sétima sessão seguida de alta, mas perdeu o fôlego e fechou com queda de 3,7%, mantendo o sinal negativo também na sexta-feira. Ainda assim, fechou janeiro com alta de 27%.
A trégua no primeiro mês de 2026 ocorreu após tombo de 62,5% em 2025, quando a ação da empresa teve performance positiva em apenas dois meses.
Nesta segunda-feira, por volta de 16h30, as preferenciais da empresa eram cotadas a R$0,93, em queda de 9,71%. Na mínima da sessão até o momento, chegaram a R$0,92.
De acordo com analistas do UBS BB, que reiteraram recomendação de venda para os papéis, com preço-alvo de R$0,80, o principal debate em torno da Raízen continua sendo o que acontecerá com sua estrutura de capital.
Matheus Enfeldt e equipe destacaram em relatório a clientes no fim de semana que companhia tem sido clara quanto à possível necessidade de uma injeção de capital, tema que segue em discussão entre seus acionistas controladores.
"Embora agora esperemos que uma injeção de capital venha a ocorrer em algum momento, é importante destacar que não vemos um problema imediato de liquidez para a Raízen. Isso nos sugere que o 'overhang' dessas discussões pode se arrastar por mais um ano -- ou até mais", afirmaram.
Eles ressaltaram que isso não é o que a administração tem indicado, com a Cosan afirmando, em sua teleconferência de resultados do terceiro trimestre no fim de 2025, que seu senso de urgência na Raízen está claramente mais na linha de seis meses do que de dois anos.
"Ainda assim, preferimos aguardar uma solução concreta antes de nos tornarmos mais otimistas com a ação, especialmente diante da fraqueza do ciclo de açúcar e etanol", pontuaram.
Enfeldt e equipe ponderaram que a Raízen passa por uma mudança estratégica, e avaliam que a companhia caminha na direção correta.
"No entanto, reiteramos nossa recomendação de venda, pois esperamos que a transformação leve tempo, com a alavancagem continuando a aumentar diante da pressão sobre os preços das commodities", afirmaram, avaliando que potenciais desinvestimentos podem ajudar, mas necessariamente serão transformacionais.
Também destacaram que outros fatores, como a contribuição de ativos na Argentina e o desempenho das usinas, oferecem visibilidade limitada.
"Uma captação de capital é agora nosso cenário base e, embora acreditemos que uma empresa mais eficiente deva emergir nos próximos anos, o processo pode ser dilutivo, e esperamos que a alavancagem piore antes de melhorar."
(Por Paula Arend Laier)
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