Conab eleva safra 25/26 de soja do Brasil ao revisar produtividade para recorde
Por Roberto Samora e Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 12 Fev (Reuters) - A safra de soja 2025/26 do Brasil deve alcançar um recorde de 177,98 milhões de toneladas, projetou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira, elevando sua previsão em 1,86 milhão de toneladas frente ao mês passado, apesar de um leve ajuste negativo na área plantada.
Em relatório, a Conab citou que as condições climáticas vêm favorecendo a cultura, cuja produção deve crescer 3,8% em relação à safra passada.
Dessa forma, a companhia aumentou a estimativa da produtividade média do maior produtor e exportador global em 1,6% na comparação com o levantamento anterior, para um recorde de 3,675 toneladas por hectare.
Agora a Conab vê uma produtividade média acima da máxima histórica registrada na temporada passada, quando o país obteve 3,622 toneladas por hectare. Até o mês passado, a estatal previa 3,619 toneladas por hectare.
"As precipitações ocorridas na primeira quinzena de janeiro favoreceram as lavouras em todo o país, com exceção das regiões nordeste e noroeste do Pará e Maranhão, onde a irregularidade das precipitações atrasou o plantio nessas regiões", disse a Conab, citando que chuvas ajudaram essas áreas na segunda quinzena.
O ajuste na produtividade média mais do que compensou uma redução mensal de 0,5% na previsão de área plantada, para 48,43 milhões de hectares. Esse patamar também é recorde, superando em 2,3% a temporada passada.
"Foi atualizada, novamente, a estimativa de área cultivada... A principal razão para a diminuição da estimativa é a dificuldade de muitos produtores para acessarem crédito, haja vista a descapitalização decorrente de seguidas frustrações nas safras passadas", disse a Conab, citando algumas regiões.
Com a revisão na produção, a Conab também ajustou para cima sua projeção para as exportações da oleaginosa, vistas agora em 112,2 milhões de toneladas na temporada, cerca de 400 mil toneladas acima do esperado no mês passado.
Na temporada anterior, o Brasil exportou 108,2 milhões de toneladas.
A Conab afirmou que a colheita de soja já foi iniciada na maioria dos Estados e, na primeira semana de fevereiro, alcançou 17,4% da área estimada de cultivo.
"As precipitações frequentes, que ocorrem nas regiões centrais e no Norte do país, têm dificultado a retirada dos grãos do campo, mas ainda sem afetar, significativamente, a qualidade e quantidade de grãos", disse a estatal.
MILHO
A Conab também previu uma segunda safra de milho de 109,26 milhões de toneladas, cerca de 1,2 milhão de toneladas a menos do que a previsão de janeiro, mas 3,5% abaixo das 113,22 milhões de toneladas do ano passado.
O segundo milho é plantado após a colheita da soja nas mesmas áreas e representa a maior parte da produção total de milho do Brasil.
O plantio do milho segunda safra no Brasil ganhou impulso em janeiro e, na primeira semana de fevereiro, atingiu 21,6% da área, segundo a Conab.
O ritmo de plantio do segundo milho está próximo da média das últimas safras e acima do observado na safra passada, afirmou a Conab, indicando que os agricultores estão preparados para concluir o plantio dentro da janela climática ideal.
A previsão da safra total de milho é de 138,4 milhões de toneladas, representando recuo de 1,9% em relação ao ciclo anterior.
O Brasil, segundo exportador global de milho, deverá embarcar 46,5 milhões de toneladas na temporada, ante 41,6 milhões no ciclo anterior.
Com a semeadura praticamente concluída, a área destinada para o arroz deve atingir 1,6 milhão de hectares, 11,6% inferior à área cultivada na safra anterior, com produtores pressionados pelos preços. Assim, a Conab estima que a produção chegue a 10,9 milhões de toneladas, queda anual de 14,4%.
"Mesmo com a expectativa de queda de colheita em 2025/26, a perspectiva é que o volume assegure o abastecimento interno", disse a Conab.
A área de algodão do Brasil, maior exportador global, deverá somar cerca de 2 milhões de hectares, redução de 3,2% em relação à safra anterior, o que deve resultar em uma produção de 3,8 milhões de toneladas de pluma, recuo de 6,7% ante o ciclo passado.
A queda para o algodão acontece com o preço baixo da pluma e incertezas econômicas no mercado global, afirmou a Conab.
(Por Roberto Samora, Letícia Fucuchima e Ana Mano)
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