Gabinete israelense aprova registro de terras na Cisjordânia, palestinos citam “anexação de fato”
Por Steven Scheer
JERUSALÉM, 15 Fev (Reuters) - O gabinete de Israel aprovou no domingo novas medidas para reforçar o controle de Israel sobre a Cisjordânia ocupada e facilitar a compra de terras pelos colonos, uma medida que os palestinos chamaram de “anexação de fato”.
A Cisjordânia está entre os territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente. Grande parte dela está sob controle militar israelense, com autonomia palestina limitada em algumas áreas administradas pela Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu considera a criação de qualquer Estado palestino uma ameaça à segurança. Sua coalizão governista, que tem uma grande base eleitoral nos assentamentos, inclui muitos membros que querem que Israel anexe a Cisjordânia, território conquistado na guerra do Oriente Médio de 1967, ao qual Israel alega ter laços bíblicos e históricos.
Os ministros votaram a favor do início de um processo de registro de terras pela primeira vez desde 1967, uma semana após aprovarem outra série de medidas na Cisjordânia que suscitaram condenação internacional.
“Estamos continuando a revolução dos assentamentos e fortalecendo nosso domínio em todas as partes de nossa terra”, disse o ministro das Finanças de extrema direita, Bezalel Smotrich.
O ministro da Defesa, Israel Katz, disse que o registro de terras é uma medida de segurança vital, enquanto o gabinete afirmou em comunicado que se trata de uma “resposta adequada aos processos ilegais de registro de terras promovidos pela Autoridade Palestina”.
O Ministério das Relações Exteriores disse que a medida promoverá a transparência e ajudará a resolver disputas de terras.
A presidência palestina condenou a ação, afirmando que ela constitui “uma anexação de facto do território palestino ocupado e uma declaração do início de planos de anexação que visam consolidar a ocupação por meio de atividades de colonização ilegais”.
A organização israelense de monitoramento dos assentamentos Peace Now disse que a estratégia de Israel pode levar à expropriação de até metade da Cisjordânia dos palestinos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a anexação israelense da Cisjordânia, mas seu governo não tem procurado conter a aceleração da construção de assentamentos por parte de Israel.
O mais alto tribunal das Nações Unidas afirmou, em um parecer consultivo não vinculante em 2024, que a ocupação israelense dos territórios palestinos e os assentamentos ali são ilegais e devem ser encerrados o mais rápido possível.
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