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Eric Maleson refuta revanche pessoal ao entergar Nuzman à PF

Eric Walther Maleson, fundador e ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), responsável pela denúncia ao Ministério Público Francês e outros órgãos internacionais sobre irregularidades na escolha do Rio de Janeiro para a sede da Olimpíada de 2016, afirmou ao O GLOBO que esse é o primeiro passo para a mudanças no Comitê Olímpico do Brasil (COB). Maleson relatou que teria ocorrido fraude na votação dos países africanos para a escolha da cidade e sua denúncia resultou na Operação Unfairplay, da Polícia Federal (PF), um desdobramento da Lava Jato. Ele diz quer uma intervenção do Comitê Olímpico Internacional no COB.

— Não é uma questão pessoal, um revide. Eu apenas cansei de ver atividades ilícitas, eleições ilícitas, e forças ocultas no país, como num passe de mágica, fazerem tudo desaparecer. Eu não me surpreendi com nada do que está acontecendo agora. Sabia que esse dia ia chegar. Só acho que demorou muito — declarou Eric, que foi membro do COB por 13 anos, até ser afastado. — Já havia enviado cartas e mais cartas para o Comitê Olímpico Internacional pedindo a intervenção do COB e me respondiam apenas que estavam olhando o caso com seriedade. Ligava todos os meses pedindo um posicionamento. Nada foi feito. Hoje (terça-feira) envio nova carta a Thomas Bach pedindo a intervenção do COB.

O ex-piloto de bobsed disse que não pode dar detalhes sobre sua colaboração com as investigações da PF nem o que entregou às autoridades. Mas, afirmou que após os Jogos Pan-americanos do Rio, em 2007, passou a “se respaldar” e a fazer uma espécie de investigação própria.

— Estava no meio de cobras, por isso — justifiocu. — Claro que para isso ocorrer, para o Nuzman passar a ser investigado, teria de ter a colaboração de alguém de dentro. Eu quero mudanças, sempre quis isso e fui detruído politicamente após me posicionar contra o Nuzman na penúltima eleição do COB. Fui o único que não votei nele para a reeleição. Desde 2007 venho acompanhando o que acontece.

O ex-presidente da CBDG foi afastado do seu posto, em 2012, por determinação da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, acusado de gestão temerária, falsificação de documentos e desvio de verbas.

— Esse processo ainda não terminou e a seu tempo as coisas serão esclarecidas. Eu sei que durmo com a consciência tranquila — defendeu-se.

Um atleta de bobsled, Edson Bindilatti, que foi a três Olimpíadas de Inverno, sendo duas na administração de Maleson, foi quem liderou na Justiça a ação. De acordo com o atleta, por conta de irregularidades, a CBDG ficou sem receber a verba da Lei Piva e isso prejudicou o país e seus esportistas.

— Nunca tive nada contre ele mas não era possível o que acontecia. A gente viajava sem dinheiro, pagava despesas do bolso, e não éramos reembolsados. Além de gastos com alimentação, por exemplo, viajávamos de uma cidade a outra, em competições internacionais, em caçamba de van! Isso sem contar a situação que o país passava lá fora. Tinhamos péssima fama porque a CBDG alugava equipamentos, não tínhamos trenó à época, e dava calote — lembra Bindilatti, que ficou surpreso quando soube que Maleson está ligado à Operação Unfairplay, da Polícia Federal (PF), que investiga o pagamento de propina a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) em troca de votos a favor do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. - Quando a gente acha que o cara sumiu... surge das cinzas.

Bindilatti conta que na época que Maleson era o piloto de bosbsed do Brasil e presidente, o quarteto masculino não figurava entre as 60 do ranking mundial. Depois, já chegou a 17.ª colocação.

— Depois da intervenção, melhorou. Temos uma boa perceria com a delegação norte-americana. Passaram a nos ver como uma equipe com potencial e não uma seleção da Jamaica — diz o atual piloto.

Emilio Strapasson, que foi o interventor na entidade, é desde 2013 o presidente da CBDG. E o quarteto masculino do bobsled tem chance de se classificar para os Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018.

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