Nenhum dos dois turnos do Campeonato Carioca teve Botafogo ou Vasco como campeões, mas isso não significa que os times não tenham feito por merecer a vaga na decisão, que tem seu jogo da ida neste domingo, às 16h, no Estádio Nilton Santos.
Mandante de hoje, o Botafogo teve um início de ano turbulento. Perdeu algumas peças (Victor Luís, Bruno Silva e Roger) e apostou em um novo treinador para 2018, mas tudo veio abaixo antes do fim do carnaval. Somados, os fracassos na Copa do Brasil e na Taça Guanabara resultaram na demissão de Felipe Conceição, técnico que havia assumido em janeiro.
O momento ruim serviu para dar uma chacoalhada no ânimo alvinegro. Veio um novo técnico e também novos jogadores. Alberto Valentim deu mais consistência ao time, que venceu o Flamengo na semifinal atuando bem, demonstrando que a equipe evolui, mesmo após perder João Paulo, uma das referências do time, por lesão. Dos jogadores que chegaram depois de janeiro, a principal novidade vem sendo o lateral-esquerdo Moisés.
— O importante para mim é o Botafogo virar uma equipe de verdade, temos que jogar de frente contra qualquer equipe. Perdemos a final da Taça Rio por 3 a 0, mas não foi um resultado verdadeiro. Voltamos fortes e agora estamos na final—comentou Valentim, relembrando o revés contra o Fluminense, que acabou eliminado na outra semifinal pelo rival de hoje.
Em São Januário, o ano começou com um prognóstico parecido, peças fundamentais deixaram o time. Perdeu-se Anderson Martins, Madson, Mateus Vital e Nenê, titulares que faziam a espinha dorsal da equipe. A diferença é que o Vasco não teve tempo para errar. Com partidas decisivas da Libertadores desde janeiro, o sinal de alerta cruz-maltino estava ligado desde o primeiro dia do ano. Com a competição sul-americana como prioridade, o Vasco precisou por em campo jogadores reservas em alguns momentos e sequer se classificou para as semifinais do primeiro turno, mas na hora que mais importava a equipe de Zé Ricardo venceu e faz a terceira final contra o Botafogo em quatro anos.
— Nosso trabalho é sagrado. Temos muito a evoluir. Nossa evolução vai acontecer naturalmente. Temos um grupo muito bom, um ambiente muito bom. Só estamos trabalhando para que isso se mantenha. Não temos uma equipe fortíssima individualmente, mas tentamos tirar isso no coletivo — analisou Zé Ricardo.
OS IMPROVÁVEIS
Assim como a trajetória sinuosa que trouxe os times até a decisão. A classificação veio a partir de heróis improváveis. Contratação mais cara do Botafogo para a temporada — custando R$2,5 milhões aos cofres alvinegros —Luiz Fernando veio do Atlético-GO e começou o ano como titular, mas não embalou. Tímido, o jogador de 21 anos não parecia confortável em campo e perdeu posição.
Recebeu nova chance justamente contra o Vasco, na semifinal da Taça Rio, e foi bem. Contra o Flamengo, fez o gol da vitória e ainda provocou o adversário na comemoração, prova de que está mais à vontade.
Já a classificação vascaína veio através de Fabrício. Aos 31 anos, o lateral-esquerdo foi contratado para compor o elenco, mas acabou virando titular por conta de lesão muscular de Henrique, na última rodada da Taça Rio, contra o Botafogo. Com a semifinal empatando, o que colocava o Fluminense na final, Fabrício fez o gol da vtiória aos 49 do segundo tempo.
No jogo desta tarde, o lateral-esquerdo vascaíno e o ponta-direita botafoguense se encontrarão na mesma faixa do campo e travam duelo a parte para decidir se serão lembrados, novamente, como heróis.
FICHA DO JOGO
Botafogo: Gatito; Marcinho, Joel Carli, Igor Rabello e Moisés; Marcelo, Rodrigo Lindoso, Renatinho, Luiz Fernando e Valencia; Brenner. T. Alberto Valentim.
Vasco: Martín Silva, Pikachu, Paulão, Erazo e Fabrício; Wellington, Desábato e Giovanni Augusto; Wagner Paulinho e Riascos.T. Zé Ricardo.
Juiz: Rodrigo Carvalhaes
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Local: Nilton Santos
Horário: 16h
Transmissão: TV Globo, Rádio Globo e CBN

