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Argentina promete óleo à PM e se livra de denúncia de racismo no Maracanã

Por Folha de São Paulo

02/12/2023 9h30 — em
Esportes



SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A Justiça do Rio confirmou um acordo que livrou uma torcedora argentina da denúncia de racismo durante o jogo Brasil x Argentina no Maracanã, no dia 21 de novembro. Ela se comprometeu a comprar óleo de motor para Polícia Militar e, em troca, verá seu processo encerrado.

O Ministério Público do Rio ofereceu a Belén Mateucci um acordo de não persecução penal, pelo qual ela escapou de ser processada pelo crime de racismo. Segundo o juiz Bruno Vaccari Manfrenatti, Belén confessou o crime e se comprometeu a comprar 25 litros de óleo de motor para o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios da PM do Rio (Bepe).

A torcedora ficou três dias presa depois que uma funcionária do Maracanã disse à polícia ter sido chamada de "pedaço de macaco" pela argentina. Na sexta-feira (24 de novembro), Belém recebeu um alvará de soltura, com o compromisso de permanecer no Brasil até a conclusão do processo. O acordo que encerra o processo foi fechado em uma audiência virtual anteontem no Rio.

A argentina terá até o dia 10 de dezembro para cumprir sua parte no acordo. Segundo a Justiça, o custo estimado dos 25 litros do óleo que ela terá que comprar é R$ 1.000.

Belén foi presa em flagrante durante Brasil x Argentina por causa de uma confusão com uma vendedora ambulante do Maracanã. A brasileira disse ter ouvido da argentina a expressão "pedazo de mono" (pedaço de macaco), o que foi confirmado por outras testemunhas. Nesse mesmo jogo, dezenas de argentinos foram feridos pela PM, que reprimiu com violência um princípio de confusão com brasileiros.

Do estádio, Belén foi levada ao presídio Oscar Stevenson, em Benfica, bairro na Zona Norte do Rio, onde ficou um uma cela com outras três detentas, segundo seu pai. Belén é filha de um icônico torcedor do River Plate e da seleção argentina.

Desde janeiro de 2023, a injúria racial passou a ser considerada uma modalidade de racismo, crime imprescritível e inafiançável. Desde então, torcedores estrangeiros têm sido presos após gestos e falas racistas em jogos no Brasil. Eles têm saído da prisão após alguns dias para responder ao processo em liberdade.


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