Nesta quarta-feira (12), às 21h30, em Itaquera, ele e sua equipe nem precisarão de um milagre para derrubar o Corinthians e seguir na Copa Libertadores.
Com a vitória por 1 a 0 em casa na partida de ida, o time paraguaio precisa apenas de um empate para se classificar à terceira fase do torneio. Nos três confrontos que já fizeram na história, todos pela competição, o Guaraní venceu todos e nunca sofreu um gol sequer.
Ex-zagueiro, Costas iniciou em 1999 a carreira de técnico no clube de seus amores, o Racing (ARG), pelo qual atuou em 337 partidas. Até hoje, ele o atleta que mais vezes defendeu a equipe de Avellaneda.
De 2001 a 2003, assumiu pela primeira vez o Guaraní. Mas foi no Alianza Lima, do Peru, que o argentino iniciou sua relação com o Senhor dos Milagres, cuja imagem se encontra no altar maior do Santuário das Nazarenas, em Lima, e a quem são atribuídos diversos atos divinos que salvaram a cidade de terremotos e outras catástrofes.
"A torcida do clube [Alianza Lima] é muito devota. Há um dia em que todos os trabalhadores do clube participam da procissão por toda a cidade. Como homenagem, o clube muda durante o mês de outubro sua camiseta azul e branca pelo roxo, que é a cor do Senhor dos Milagres", contou Costas, em entrevista à revista argentina El Gráfico, em 2015.
A passagem pelo futebol peruano marcou o pontapé inicial de uma peregrinação vitoriosa pela América do Sul, com títulos em quatro países do continente. Pelo Alianza Lima, conquistou duas ligas do Peru (2003 e 2004).
No Paraguai, em 2005, sagrou-se campeão nacional com o Cerro Porteño. O argentino também levantou uma taça no Equador, com o Barcelona de Guayaquil, em 2012, e na Colômbia, onde venceu dois Campeonatos Colombianos e uma Copa Suruga no comando do Independiente Santa Fe.
O único país da América do Sul no qual ele trabalhou e nunca foi campeão é justamente a Argentina, onde só comandou o Racing e, segundo o próprio treinador, em períodos difíceis do clube -que chegou a falir em 1999.
"As duas vezes que dirigi na Argentina foram no Racing [1999-2000 e 2007] e sem nenhum projeto: fui como bombeiro para apagar incêndios. Nunca comandei um Racing ordenado."
México e Arábia Saudita foram outros locais nos quais o treinador comandou equipes. Neste último, inclusive, precisou interromper o ritual religioso de beijar sua medalhinha antes dos jogos.
"Não podia fazer isso nem o sinal da cruz. Os príncipes sabiam dos meus rituais e me deixaram claro: eu podia fazê-los no vestiário, mas não em público. Levava a medalha no bolso, mas não a exibia e nem a beijava", contou.
Entre as suas referências como técnico estão Alfio Basile, ex-treinador da seleção e que o comandou na época de jogador, e os contemporâneos Pep Guardiola e Diego Simeone.
Segundo o argentino, a forma como o comandante do Atlético de Madrid (ESP) vive o futebol lhe encanta. Os dois, inclusive, se assemelham no comportamento enérgico à beira do campo, gesticulando e orientando constantemente seus atletas.
Essa admiração por Simeone também tem algo de vaidade por parte de Gustavo Costas e remete a um episódio do início de carreira do "Cholo", que é torcedor declarado do Racing, onde se aposentou como jogador antes de começar sua trajetória no comando técnico.
"Sabe que um dia, quando ele começava [no futebol], nos encontramos em um restaurante e ele veio me pedir um autógrafo. Já tinha estreado no profissional do Vélez Sarsfield, eu o conhecia, e ele veio mesmo assim", disse Costas, orgulhoso.
Nesta quarta, o homem que já foi ídolo de Simeone estará com a sua medalhinha em Itaquera, pedindo proteção à sua equipe, que busca a classificação à próxima fase da Libertadores. As orações de outras 40 mil pessoas estarão na direção contrária.
