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CAÇADORES DE VOTOS

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Por Espaço Crítico
05/03/2024 12h42 — em Espaço Crítico

Em ano de eleição levanta-se a questão da ética e das diametrais diferenças entre o discurso e a prática dos políticos. Numa análise fria e em comparativo com o não muito distante passado, parece que o tempo dos coronéis do voto chegou ao fim. No entanto, mesmo com a falência deles, ainda sobrevive no corpo social algum fogo de monturo de antigas fogueiras, que teima em resistir às mudanças de costume. São os candidatos obsoletos com suas ideias ultrapassadas. São magotes empedernidos que relutam em desaparecer. Tais múmias ou tais dinossauros, ainda conseguem muita coisa à custa da demagogia e da força convincente do dinheiro. Fazem da verbosidade uma arma e do poder material um artifício de convencimento. No dia-a-dia das campanhas, assemelham-se mais a camelôs que propriamente a políticos. Não passam de velhos fornecedores de quinquilharias eleitorais, bruxos endiabrados que permanecem usando antigas fórmulas de aliciamento na pretensão de transformarem dentaduras e caixões de defunto em voto. Já é tempo de sabermos distinguir um candidato sério de um desalmado caçador de votos. O verdadeiro candidato não estupra a consciência alheia. O caçador de votos na ânsia de angariar as benesses das urnas, é capaz de prometer o vermelho ao eleitor que estiver de luto. Sai por aí feito caixeiro-viajante, montado em motocicletas, numa voadeira pelos nosso rincões, alguns até de helicóptero, distribuindo sabonetes e miçangas, comendo jaraqui ou bodó, arrotando humildade, prometendo escada-rolante do inferno para o céu... O mandato político como é do conhecimento de todos, não é brincadeira nem um faz-de-conta, mas um vínculo entre um cidadão e aquele que o representa no Poder. Não se trata mais de emprego para si nem para os seus. É muito mais uma investidura de deveres e obrigações. A missão política é tão nobre que não deve ser outorgada a pessoa desvinculada do social. Quem não assume compromisso com a coisa pública é melhor permanecer anônimo na privada, sob pena de cair, nos dias de hoje, no escárnio popular. A era dos tolos e dos patos está passando. Ninguém mais suporta a dissimulação dos políticos maquiavélicos. Que eles arrumem suas trouxas ou ponham no saco as suas violas, que os tempos são outros. O gênio de Nicolau Maquiavel, atualmente, deve ficar restrito, apenas, aos estudos acadêmicos. O autor de “O Príncipe”, embora universal, deve ser reconsiderado como conselheiro político para os César Bórgia e os Lourenço Médicis da contemporaneidade. Endeusá-lo nos dias de hoje, é fomentar ideias antigas de sagacidade que o nosso século irá fatalmente descartar. Os novos tempos desdenharão os hipócritas. Dito isso, sejamos doravante mais coerentes com nossas ações como eleitores e  comecemos a pensar em alijar os caçadores de voto enganadores. A manifestação popular mais eficaz e que expressa a indignação, é o voto no dia da eleição.

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Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

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