Ibovespa recua após recordes com política comercial dos EUA no radar; Telefônica Brasil sobe
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 23 Fev (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, refletindo ajustes, após renovar máximas históricas na última sexta-feira, quando fechou acima dos 190 mil pontos pela primeira vez, enquanto Telefônica Brasil era destaque positivo no dia após divulgar resultados.
Por volta de 11h05, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,51%, a 189.569,59 pontos. O volume financeiro somava R$2,97 bilhões.
A política comercial dos Estados Unidos permanece sob os holofotes, com anúncio no sábado pelo presidente Donald Trump de tarifa global de 15%, após a Suprema Corte invalidar na sexta-feira o programa tarifário anterior do republicano.
A equipe da XP destacou que a nova medida reacendeu incertezas sobre inflação e crescimento global.
No exterior, os futuros acionários norte-americanos apontavam uma abertura negativa em Wall Street, após fechamento positivo na sexta-feira na esteira da decisão da Suprema Corte.
DESTAQUES
- TELEFÔNICA BRASIL ON avançava 2,97%, após o balanço do quarto trimestre mostrar lucro e Ebitda acima do esperado por analistas, enquanto a receita líquida da companhia, que opera sob a marca Vivo, cresceu 7%. O grupo de telecomunicações também anunciou um novo programa de recompra de ações e uma proposta de redução de capital.
- VIBRA ENERGIA ON caía 3,2%, tendo de pano de fundo uma explosão em um de seus tanques de armazenamento de etanol em Volta Redonda (RJ) no fim de semana. O Itaú BBA também destacou em relatório dados preliminares da ANP sobre vendas de combustíveis em janeiro, apontando perda de participação pelas três maiores distribuidoras, em conjunto.
- BRASKEM PNA recuava 2,54%, no segundo pregão de queda seguido. No final da sexta-feira, a petroquímica informou que a Braskem Idesa -- joint-venture entre a empresa brasileira e a mexicana Idesa -- anunciou o não pagamento de juros programado para o dia 20 de fevereiro referente às suas notas seniores garantidas com vencimento em 2032.
- NATURA ON cedia 1,38%, com o noticiário destacando acordo para encerrar em definitivo um caso envolvendo a Avon nos EUA mediante o pagamento de US$67 milhões. A Natura afirmou que o impacto financeiro do desembolso será majoritariamente compensado pelos US$22 milhões da venda da Avon Card e 26,9 milhões de euros da venda da Avon Rússia.
- RAÍZEN PN subia 3,33%, após renovar mínimas históricas na última sexta-feira, chegando a R$0,58 no pior momento do pregão. Investidores seguem enxergando um cenário desafiador envolvendo os preços de açúcar e etanol, enquanto monitoram potenciais medidas da companhia para melhorar sua estrutura de capital.
- COSAN ON avançava 2,3%, tendo no radar divulgação pela companhia de que avalia a realização de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da sua controlada Compass Gás e Energia.
- ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,22%, após três altas seguidas, período em que acumulou uma valorização de 3%. Entre os bancos no Ibovespa, BRADESCO PN perdia 0,64%, SANTANDER BRASIL UNIT cedia 0,93%, BTG PACTUAL UNIT recuava 0,71% e BANCO DO BRASIL ON mostrava decréscimo de 0,22%.
- VALE ON tinha acréscimo de 0,08%, em mais um pregão sem o referencial do mercado chinês, com feriado naquele país. A mineradora divulgou nesta segunda-feira estimativa de investimentos de US$3,5 bilhões em projetos de cobre em Carajás (PA) no período de 2026 a 2030 e atualizou estimativas de sensibilidade de fluxo de caixa livre.
- PETROBRAS PN subia 0,68%, em pregão com variação positiva do preço do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent tinha acréscimo de 0,49%. PETROBRAS ON avançava 0,73%.
- AZUL, que não faz parte do Ibovespa, disparava 33,85%, após anunciar na sexta-feira a saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11). O presidente-executivo, John Rodgerson, disse que a empresa aérea saiu da reestruturação protegida de quaisquer novos obstáculos potenciais, e agora se concentrará no "crescimento responsável".
(Por Paula Arend Laier)
ASSUNTOS: Economia