Ibovespa fecha acima dos 186 mil pela 1ª vez puxado por blue chips e com aval de NY
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 9 Fev (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, terminando o dia acima dos 186 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado pelas blue chips Itaú Unibanco, Vale e Petrobras, e endossado por Wall Street.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,8%, a 186.241,15 pontos, novo recorde para fechamento, tendo marcado 186.460,08 pontos na máxima e 182.950,20 pontos na mínima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$27,83 bilhões.
Dados da B3 continuam mostrando fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras, com saldo positivo em R$2,9 bilhões em fevereiro até o dia 5, após entrada líquida de R$26,3 bilhões em janeiro. Em 2025, o saldo somou quase R$27,66 bilhões.
"Esses ingressos têm sido um dos principais vetores do 're-rating' do mercado e da melhora de desempenho", afirmou a responsável pela análise das empresas brasileiras cobertas pelo Santander, Aline de Souza Cardoso, em relatório a clientes.
Ela destacou que esse movimento ocorre em um contexto mais amplo de realocação de portfólios globais.
"Após vários anos de elevada concentração em mercados desenvolvidos — especialmente em ações dos EUA —, as condições passam a se mostrar cada vez mais favoráveis, em nossa visão, para uma rotação gradual em direção aos mercados emergentes."
Nesta sessão, Wall Street também corroborou o viés positivo no pregão brasileiro, com o S&P, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subindo 0,47%.
No radar local, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a palavra-chave deste momento do ciclo de política monetária é "calibragem" e que é necessário reconhecer que há melhora em dados de inflação corrente e nas expectativas.
De acordo com o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o discurso de Galípolo "reforçou o início do ciclo de cortes, mas reforçou prudência nos movimentos. A fala ajudou na queda das taxas dos DIs na sessão.
A semana também começou com emissão de dívida pelo Brasil no mercado externo. O país captou US$3,5 bilhões com um papel com vencimento em 2036 e US$1,0 bilhão com a reabertura de um título de 30 anos, o Global 2056.
DESTAQUES
- ITAÚ UNIBANCO PN avançou 3,34%, em dia de desempenho robusto de bancos do Ibovespa, com SANTANDER BRASIL UNIT fechando em alta de 5,98% e BRADESCO PN apurando acréscimo de 1,46%. BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,01%, com agentes financeiros no aguardo do balanço do quarto trimestre no final da quarta-feira.
- VALE ON subiu 1,96%, recuperando o sinal positivo após duas quedas seguidas, em dia de desempenho misto dos futuros do minério de ferro na Ásia, com declínio do contrato mais negociado em Dalian, mas alta em Cingapura. A mineradora divulga na próxima quinta-feira, após o fechamento do mercado, seu balanço do quarto trimestre e de 2025.
- BTG PACTUAL UNIT caiu 0,12%, mesmo após lucro de R$4,6 bilhões no quarto trimestre, resultado recorde para o período, mas em linha com as previsões. O banco sinalizou uma rentabilidade acima de 25% nos próximos anos. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 2,87%. As units vinham de duas altas seguidas. No ano, ainda sobem quase 14,5%.
- PETROBRAS PN subiu 1,83%, em dia de alta dos preços do petróleo no exterior, com o barril do Brent fechando com acréscimo de 1,45%. PETROBRAS ON fechou em alta de 2,03%.
- HAPVIDA ON recuou 2,72%, renovando suas mínimas históricas. Números da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados por analistas mostraram na semana passada queda no número de clientes dos planos de saúde da companhia em dezembro na base mensal. Em 2026, os papéis já acumulam um declínio de 22,27%, mesmo após o tombo de 56% no ano passado.
(Por Paula Arend Laier; Edição de Igor Sodré)
ASSUNTOS: Economia