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Eliminação de “termos hegemônicos” destrava negócio entre Boeing e Embraer

SÃO PAULO. Com a nova proposta da Boeing para compra da Embraer, enviada na terça-feira à Brasília, o grupo de trabalho montado pelo governo federal — formado por Defesa, Fazenda, BNDES e FAB — avalia que as tratativas saíram dos "termos hegemônicos propostos inicialmente" pela empresa americana. O que abre caminho para que se avance nos entendimentos para uma combinação dos negócios.

— Não havia como avançar com a primeira proposta. A segunda estava melhor. Mas, agora, provavelmente o negócio vai andar rápido — disse uma fonte ligada à negociação.

A intenção dos negociadores de ambos os lados é enviar a proposta para a avaliação do presidente Michel Temer "o mais rápido possível".

A nova proposta de associação entre as empresas prevê que o braço da companhia brasileira na área de defesa fique fora do negócio, mas tenha participação nas receitas da parceria que as duas empresas pretendem firmar incorporando a divisão de aviação comercial da Embraer, responsável por 60% das receitas da empresa atualmente.

Ainda há um debate sobre qual percentual de participação que cada uma das empresas terá nessa nova empresa: a Embraer insiste em ter 20% da joint-venture e a Boeing insiste em ter uma fatia superior a 80%. As pressões sobre a manutenção de um percentual mínimo de 20% à Embraer vêm sobretudo dos militares da Força Aérea Brasileira (FAB), e não do corpo diretivo da companhia, segundo contam pessoas próximas às empresa.

O próprio presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva já afirmou repetidas vezes que, se dependesse apenas das companhias, "o negócio já teria saído".

De acordo com um executivo, além do percentual que caberá a cada uma das empresa na nova companhia, outro ponto ainda em discussão é a distribuição do quadro de 4 mil engenheiros da fabricante brasileira -- ativo no qual a Boeing tem muito interesse, já que cerca de 1,5 mil de seus engenheiros estão para se aposentar.

— É uma operação bem complexa — diz um executivo.

Apesar da complexidade, as empresas têm pressa na solução. Além de ser ruim as oscilações de mercado que as companhias ficam expostas, há um receio grande de o negócio não sair antes de a campanha eleitoral começar e o tema virar tema nos debates.

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