TÓQUIO - Após anos de estagnação, a economia do Japão atingiu, no fim de 2017, a série mais longa de crescimento desde os anos 80. O Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático avançou 0,5% entre outubro e dezembro, frente a igual período de 2016. O resultado, apesar de uma desaceleração e de ter ficado abaixo do que era esperado, marca o oitavo trimestre seguido de alta, o que não ocorria desde a década de 1980. No ano fechado de 2017, a economia japonesa cresceu 1,6%, maior aumento desde a expansão de 2% em 2013.
A longa série de crescimento é um sinal encorajador para o banco central do país, indicando que a economia pode finalmente estar ganhando força para levar os preços ao consumidor à meta de inflação de 2%.
A economia expandiu a uma taxa anualizada de 0,5% no quarto trimestre, menos do que a expectativa de 0,9%, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório do Gabinete. Entre julho e dezembro, a economia expandiu 2,2%, segundo dados revisados.
Com isso, a economia do Japão registrou a mais longa expansão contínua desde a série de 12 trimestres de crescimento vista entre abril-junho de 1986 e janeiro-março de 1989, ápice da notória bolha econômica do Japão.
Um período prolongado de crescimento pode levar a alguma especulação de que o Banco do Japão pode arcar com a redução do estímulo, mas economistas dizem que isso é improvável já que o iene está subindo e os preços ao consumidor no país continuam fracos.
— Os números são um pouco mais fracos do que o esperado, mas isso não é algo para se preocupar muito — disse Yoshiki Shinke, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Dai-ichi Life.
A desaceleração do crescimento reforça a dificuldade de estimular mais investimentos e gastos em um momento em que a população japonesa envelhece e fica cada vez menor.

