Economia americana recua no primeiro trimestre e o que importa no mercado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Economia americana recua no primeiro trimestre, Milei tenta segurar inflação argentina na marra e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (1º).
**ANDAR DE RÉ É MAIS DIFÍCIL?**
Quando dirigimos de ré, precisamos olhar mais para os retrovisores. Ou seja, o que está para trás fica mais importante do que está à frente. Chegou a hora dos EUA olharem com cuidado para o que aconteceu nos últimos meses e entender o que fazer com isso.
A economia do país recuou 0,3% em termos anuais no primeiro trimestre, segundo dados divulgados ontem pelo BEA (sigla em inglês para Escritório de Análise Econômica) do país.
OLHANDO PARA TRÁS
A queda contrasta com o crescimento de 2,4% registrado no último trimestre de 2024. É o maior recuo desde o primeiro trimestre de 2022.
PIOR DO QUE A ENCOMENDA.
A diminuição do PIB (Produto Interno Bruto) foi maior do que algumas previsões esperavam refletindo a resposta das empresas americanas à guerra comercial.
1,5% era a contração prevista pelo modelo do Federal Reserve de Atlanta, segundo o New York Times.
2,6% era o crescimento contratado pela projeção do Fed de Nova York.
O QUE ROLOU?
Donald Trump. Precisamos dizer mais? Na verdade, precisamos sim. Senta que lá vem história.
A queda foi em grande parte resultado da corrida das empresas americanas para acumular estoques antes que o tarifaço imposto pelo republicano entre em ação.
O déficit comercial de mercadorias atingiu um recorde histórico em março, crescendo 41,3%.
Isso mostra que as companhias correram para comprar tudo o que precisam do exterior antes que fique caro demais fazê-lo.
Vai ficar tudo bem, disse Trump sobre os dados, e culpou outra pessoa pelo resultado. Clique aqui para saber quem.
SEM ABALO.
Os trancos e barrancos já estavam previstos pelo mercado, portanto, as projeções para o futuro não mudaram tanto. A expectativa para os cortes da taxa básica de juros continua a mesma: quatro até o fim do ano.
Os investidores acreditam que a guerra comercial leve a um crescimento mais lento no segundo semestre, com o aumento dos preços pesando no consumidor.
REPERCUSSÃO.
Na bolsa americana, os reflexos dos meses turbulentos que vivemos já podem ser vistos. Sob o segundo mandato do presidente republicano, o mercado acionário americano viveu os piores cem dias primeiros de um mandato presidencial desde 1974.
**BAIXANDO A INFLAÇÃO NA MARRA**
Se não for por bem, vai por mal. É mais ou menos assim que o governo Javier Milei quer encarar a inflação na Argentina.
Agora, ele apelou para que as grandes redes de supermercados do país recusassem aumentos de preços por parte dos fornecedores, depois que o câmbio foi liberado há duas semanas.
ENTENDA
Desde que chegou à Casa Rosada, o líder ultraliberal tomou medidas drásticas para mudar a economia do país. Nos números, as coisas parecem ter melhorado. No cotidiano, contudo, a desigualdade aumentou muito.
Na missão de (tentar) estabilizar a economia argentina, ele impôs algumas metas, entre elas segurar a inflação e colocar a nação no caminho da dolarização.
NESSE CAMINHO
Milei bateu na porta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e perguntou se eles tinham um pouco de farinha para emprestar. Eles tinham, e os argentinos conseguiram uma ajuda de US$ 20 bilhões (R$ 113,4 bilhões).
Para receber o dinheiro, a Argentina teve que cumprir alguns requisitos.
REPENSANDO OS LIMITES
Um passo importante para chegar onde o chefão quer foi o fim do cepo do câmbio. Antes, os cidadãos do país só podiam comprar até US$ 200 (R$ 1.134) no mercado oficial o que estimulava a existência de taxas cambiais paralelas, como o dólar blue, famoso entre os brasileiros.
Agora, o Ministério da Economia instituiu um regime de bandas para a flutuação do dólar oficial: ele pode ficar entre 1.000 e 1.400 pesos argentinos. Os limites serão atualizados em 1% ao mês e, caso sejam ultrapassados, haverá intervenção do governo.
A EXPECTATIVA
É que a inflação reaja a essa liberdade, por motivos que exigiriam um capítulo de um livro de teoria econômica para explicar ou seja, não cabem em uma newsletter. Tem a ver com a desvalorização do peso frente ao dólar e você encontra mais detalhes aqui.
Uma aceleração dos índices é tudo o que Milei não quer. Para tentar evitar que os repasses cheguem com força total no consumidor, ele pediu que as redes de supermercados recusassem os aumentos.
É e não é parecido com a tabela de preços que o ex-presidente José Sarney tentou implantar no Plano Cruzado, em 1986. Desta vez não há preço fixo, mas a lógica de segurar a inflação na marra é a mesma.
Nos mercadinhos, quitandas e cantinas, no entanto, não há margem de negociação para absorver o reajuste dos fornecedores.
"Acho que gastei quase 10% a mais nesta semana pelas mesmas frutas e verduras que comprei no início do mês", diz a professora Norma Aderni, 45, ao sair de uma quitanda na capital. "Ninguém me convencerá de que os preços estão controlados."
**SOB NOVA DIREÇÃO**
Enquanto você estava aí trabalhando e aguardando ansiosamente o feriado do Dia do Trabalho, o governo estava um formigueiro.
A investigação sobre descontos indevidos de entidades nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) abriu uma crise para Lula que continua dando o que falar. Vamos às últimas atualizações.
ANTES, UM LEMBRETE.
Já falamos disso duas vezes na newsletter, em edições que você pode ler clicando aqui e aqui.
DE CARA NOVA.
Lula nomeou Gilberto Waller Júnior, procurador federal, para ocupar a presidência do Instituto. Ele substitui Alessandro Stefanutto, que deixou o cargo após o escândalo.
O nome serve bem ao momento. O presidente não quer que a palavra corrupção seja dita em nenhum canto de Brasília, e, para tentar amenizar o gosto amargo que o assunto deixou, escolheu um nome do Judiciário.
Waller é bacharel em ciências jurídicas e sociais com pós-graduação em combate à corrupção e lavagem de dinheiro.
LAVANDO A ROUPA SUJA.
Stefanutto, exonerado depois da deflagração da investigação da PF (Polícia Federal) e da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre o esquema, deu a sua versão da história hoje.
Ele negou que tenha existido omissão a respeito de avisos sobre as irregularidades e que tomou medidas necessárias, como a implantação da biometria, mas que "o INSS tem um tempo diferente e ele não faz só isso". Tudo isso em entrevista à Folha de S.Paulo, no seu apartamento em Brasília.
Sobre o desbloqueio excepcional de descontos, ele afirma que não foi feito de maneira mal-intencionada, ou irresponsável, mas que acórdão feito pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em junho de 2024 previa essa possibilidade: "Está aí, para todo mundo ver".
"CARECA DO INSS.
É, pois é. Vira e mexe as notícias nos dão um bom apelido para adotar. Este aí é Antônio Carlos Camilo Antunes, que foi acusado de receber R$ 53,58 milhões de entidades associativas e de intermediárias, de acordo com a investigação da Polícia Federal.
De acordo com relatório de investigadores, o pagamento ocorreu por meio de empresas dele. Ele ainda teria repassado R$ 9,32 milhões a servidores e empresas ligadas à cúpula do órgão.
**CARRE O QUÊ?**
Carrefulvio. Isso mesmo, você não leu errado. Este é o nome de um supermercado de São Bento do Sapucaí, no interior de São Paulo.
A brincadeira com o nome da rede de supermercados gringa chegou aos ouvidos dos franceses, que se irritaram e foram para a Justiça.
O tribunal do estado condenou o estabelecimento a indenizar em R$ 20 mil o Carrefour por concorrência desleal e violação à propriedade intelectual.
CARA-CRACHÁ.
O nome do dono da loja é Fúlvio Coutinho. Agora, você já sabe de onde veio a ideia brilhante.
PERDE DINHEIRO, MAS NÃO PERDE A PIADA.
O relator do caso, o desembargador Sérgio Shimura diz que, além do nome, o formato e as cores das logomarcas também causam confusão aos clientes com "aproveitamento parasitário" do renome e da reputação da marca Carrefour pelo Carrefulvio.
INDIGNADO.
Essa já é a segunda derrota do interiorano para o francês. Na ação, a loja paulista nega que houve concorrência desleal, já que não há nenhuma unidade do Carrefour na cidade e nem do Carrefulvio em outras onde a adversária já existe.
Também negou a violação de direito de marca, já que não houve imitação idêntica do logotipo (será?). Ainda, pediu uma prova pericial e técnica que ateste a violação.
VAMOS ENTENDER.
Como assim, uma rede internacional de supermercados está com medo de uma loja no interior paulista? Não é bem por aí que vai o raciocínio.
A questão é que a lei brasileira proíbe o uso de um visual muito parecido com um já conhecido por vários motivos tudo isso está previsto na LPI (Lei de Propriedade Industrial).
Quando alguém imita logomarca, slogan, nomes e coisas assim de outrém, a atitude é classificada concorrência desleal. Não porque um roubará a clientela do outro, e sim porque há um valor agregado à marca copiada: alguém teve um trabalho (e grande) para inventar, pensar no conceito e construir a imagem da empresa.
Ainda, parece que você está se aproveitando da credibilidade que uma outra companhia construiu para impulsionar a sua própria.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
FIM DE FESTA. Desemprego sobe a 7%, mas continua abaixo da série histórica para o trimestre.
NÃO SE ESQUEÇA. O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda termina neste mês. Só 38,77% dos documentos esperados foram enviados.
PODE FICAR O QUANTO QUISER... disse Trump a Elon Musk enquanto lavava a louça do jantar e colocava uma vassoura atrás da porta.
ASSUNTOS: Economia