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BCE mantém taxas de juros mesmo com mercados instáveis ameaçando sua “boa posição”

Por Reuters

05/02/2026 9h30 — em
Economia



Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT, 5 Fev (Reuters) - O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros como esperado nesta quinta-feira e não deu pistas sobre seu próximo passo, reforçando as apostas do mercado de que a política monetária permanecerá inalterada por algum tempo já que o bloco desfruta de crescimento constante e inflação próxima da meta.

O banco central da zona do euro têm mantido os juros desde que encerrou uma série de cortes em junho, e o crescimento surpreendentemente resiliente, aliado à diminuição das pressões sobre os preços, tirou quase toda a pressão das autoridades para fornecer qualquer suporte adicional.

Com alguns chamando o atual ambiente benigno de nirvana dos banqueiros centrais, o BCE evitou dar qualquer sinal sobre o seu próximo passo, sugerindo que mesmo um debate sobre o ajuste da política monetária é improvável a curto prazo.

“A economia continua resiliente em um ambiente global desafiador”, afirmou o BCE em comunicado. “Ao mesmo tempo, as perspectivas ainda são incertas, devido principalmente à incerteza contínua em relação à política comercial global e às tensões geopolíticas.”

O BCE acrescentou que sua avaliação atualizada reconfirma que a inflação deve se estabilizar em sua meta de 2% no médio prazo.

AMEAÇA

A presidente do BCE, Christine Lagarde, deve repetir seu mantra de que a política monetária está em uma “boa posição” e que não há sentido em discutir a direção da próxima mudança do BCE, seja quando for que ela ocorra.

“O Conselho do BCE está determinado a garantir que a inflação se estabilize na meta de 2% no médio prazo”, acrescentou o BCE. “Ele seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a postura adequada da política monetária.”

Reunindo-se pela primeira vez desde que a Bulgária aderiu ao bloco monetário, Lagarde também deverá enfrentar perguntas sobre a volatilidade dos mercados financeiros, especialmente o impacto da queda e recuperação do dólar na semana passada, nas perspectivas do BCE.

Um euro forte em relação ao dólar reduz os custos de importação, especialmente de energia, e refreia a inflação num momento em que esta já está abaixo da meta, embora temporariamente.

A inflação, o foco principal do BCE, caiu para 1,7% em toda a zona do euro no mês passado devido aos custos mais baixos da energia, e pode cair ainda mais antes de uma recuperação prevista para o próximo ano, reavivando memórias da luta do BCE para reacender o aumento dos preços na década anterior à pandemia de Covid.


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