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B3 exclui Azul do Ibovespa e de outros índices após pedido de recuperação judicial

Por Folha de São Paulo

28/05/2025 16h00 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A B3 anunciou a retirada da Azul de todos os índices acionários, inclusive do Ibovespa, a partir do fechamento do mercado de quinta-feira (29).

Todos os papéis atualmente em negociação na Bolsa brasileira serão excluídos ao preço do fechamento do pregão regular, "sendo sua participação redistribuída proporcionalmente aos demais integrantes da carteira com o pertinente ajuste nos redutores", informou a B3.

As ações serão alocadas em uma categoria batizada de "outras condições" e poderão ser negociadas normalmente.

A decisão sucede o pedido de recuperação judicial da companhia nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, e é de praxe em situações como essa. O mesmo aconteceu com a Gol, por exemplo, quando a companhia aérea também protocolou o pedido de RJ no ano passado.

Às 16h15, as ações da Azul estavam em queda de 2,8%, a R$ 1,04. Já os recibos negociados na Bolsa de Nova York (os chamados ADRs) chegaram a cair mais de 40%, a US$ 0,29, até terem as negociações suspensas nesta tarde.

Em janeiro deste ano, a Azul havia assinado um memorando de entendimento com a Abra, dona da Gol, que, se cumprido, levaria à fusão das companhias aéreas após aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil.

Com o pedido de Chapter 11, a Azul colocou operação no congelador e partiu para sua própria reestruturação. "A empresa estava sufocando", disse o CEO John Rodgerson à reportagem. Para ele, este processo será rápido porque a companhia chega à corte norte-americana com um acordo assinado entre os credores e ainda dois novos sócios, as gigantes United e American Airlines.

No final, a expectativa é que a Azul faça um upgrade de suas ações na B3, passando para o Novo Mercado, onde são negociadas somente ações com voto.

O executivo afirmou que começar uma reestruturação da Azul foi a melhor saída para se livrar do "peso da dívida", que, para ele, não é culpa da companhia. "De partida, levantamos US$ 1,6 bilhão com esse pré-acordo", afirmou.

Segundo Rodgerson, a entrada de United e American Airlines só ocorrerá depois de resolvida a recuperação financeira nos EUA. Cada um deve colocar algo entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões.

O setor aéreo foi baqueado pela pandemia de Covid-19, da qual ainda não conseguiu se recuperar totalmente. Até esta quarta, a Azul era a única entre as grandes companhias brasileiras que ainda não havia solicitado o Chapter 11. Além da Gol, no ano passado, a Latam já havia protocolado um pedido de recuperação judicial em 2020.


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