O cardiologista polonês Zbigniew Religa voltou a ganhar destaque na mídia internacional quando a revista National Geographic escolheu a foto dele vigiando os sinais vitais de um paciente após a realização de uma cirurgia com duração de 23 horas, na qual fez um transplante cardíaco.
O transplante aconteceu no ano de 1987 e a imagem mostra Religa, pioneiro no transplante de coração na Polônia, observando um emaranhado de fios conectados a aparelhos ligados ao paciente que, à primeira vista, geraram a sensação de que a iniciativa não seria bem sucedida.
Feita pelo fotógrafo James Stansfield, a foto premiada à época, não contou apenas uma história de cirurgia, mas de certo modo, mudou o mundo, porque o paciente, Tadeusz Zitkevits, sobreviveu e na imagem, Religa torna-se apenas um testemunho do sucesso do seu procedimento, afirma o texto da revista.
A foto foi excepcional ainda por ter mostrado um lado diferente da medicina moderna da época, 20 anos depois do primeiro transplante de coração bem-sucedido no mundo, feito pelo cirurgião sul-africano Christiaan Barnard.
“É difícil, leva muito tempo e é cansativo, mas é possível transplantar o coração de um homem e torná-lo saudável novamente”, explicou o médico na época.
Mas, o que era impossível naquela época na Polônia, foi feito pelo médico, que concluiu a operação sem intercorrências. Tanto que, conforme a revista National Geographic, o médico faleceu antes do paciente, muito tempo depois da cirurgia.
PIONEIRISMOS
Mas os feitos do médico Zbigniew Religa foram além desse, já considerado espetacular.
Em junho de 1995, o polonês foi o primeiro cirurgião a enxertar uma válvula cardíaca artificial criada a partir de materiais retirados de cadáveres humanos.
Religa, que também foi senador polonês reeleito em 2001, quase concorreu à presidência, é reverenciado até hoje pelos médicos quando contemplam a foto dele sentado, no quarto do paciente transplantado, observando os sinais emitidos pelos aparelhos conectados.
O texto da revista destaca que na foto é possível entender a angústia e a fadiga que transcendem a imagem: “quanto mais você a olha, mais você vê — tudo adiciona uma nova dimensão à cena. A cirurgiã assistente dormindo no conto, a bagunça sangrenta, a miríade de cabos…”
Na atualidade, transplantes cardíacos salvam muitas vidas e têm taxas de sobrevivência consideradas muito boas. Médicos como Zbigniew Religa serão sempre reconhecidos pelos esforços e cuidados para que isso continue, enquanto fotógrafos como James Lee Stansfield continuam a registrar esses procedimentos, considerados grandes feitos em favor da vida.
No vídeo, que está em polonês, está o registro de alguns momentos de celebração após a cirurgia e cenas da cirurgia real. Vale assistir.

