No coração do centro histórico de Manaus, bem em frente à praça que carrega seu nome e a poucos passos do Teatro Amazonas, está a Igreja de São Sebastião — um dos templos mais fotografados da cidade e cenário concorrido de casamentos, com fila de espera de quase um ano. Sua história começa modesta: em 1859 existia ali apenas uma capela de madeira coberta de palha, erguida por membros de uma irmandade leiga. A construção do prédio atual só começou em 1868, autorizada pelo então presidente da província, com projeto do mesmo arquiteto responsável pela Catedral Metropolitana de Manaus. A obra avançou aos poucos ao longo de quase duas décadas, e a bênção solene do templo só aconteceu em setembro de 1888.
Foi exatamente um pouco mais de duas décadas depois, em 8 de setembro de 1912, que a igreja recebeu um marco institucional importante: sua elevação à categoria de paróquia, tornando-se a terceira da cidade a ganhar esse status, atrás apenas da Catedral Metropolitana e da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Na prática, deixar de ser apenas um templo e passar a ser paróquia significava assumir uma estrutura própria de atendimento religioso e administrativo para os fiéis da região central, num momento em que Manaus vivia os últimos fôlegos da riqueza da borracha.
Não é coincidência que o interior do templo carregue até hoje vitrais e painéis de inspiração europeia, típicos do dinheiro que circulava na cidade naquele período. A mistura de estilos góticos e neoclássicos na fachada, aliás, é obra do mesmo profissional que assinou a Catedral — prova de como o mesmo pequeno grupo de arquitetos e artistas moldou a paisagem religiosa da Manaus da virada do século 19 para o 20. Em 1988, o valor histórico do conjunto foi reconhecido oficialmente pelo órgão estadual de preservação do patrimônio do Amazonas.
Mais de um século depois daquela elevação a paróquia, a Igreja de São Sebastião segue em atividade plena, mantendo viva a rotina de missas, batizados e casamentos que a tornou uma das referências afetivas do centro de Manaus — um pedaço de história que segue funcionando no meio do dia a dia da cidade.



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