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A casca amazônica usada há gerações contra o fígado que também pode machucar o próprio fígado

Popular na medicina tradicional amazônica, a sacaca (Croton cajucara) tem estudos que sustentam parte da fama, mas também um alerta oficial sobre risco ao fígado no uso prolongado

A casca amazônica usada há gerações contra o fígado que também pode machucar o próprio fígado
Foto: Kew Science

Conhecida como sacaca, muirá-sacaca ou cajuçara, essa árvore de pequeno porte nativa da Amazônia — encontrada principalmente no Pará e no Amapá, com cultivo também no Amazonas — carrega uma casca avermelhada que virou remédio caseiro em boa parte da região Norte. Geração após geração, ribeirinhos e moradores de comunidades amazônicas preparam a casca em forma de chá para tentar aliviar diarreia, problemas no fígado, diabetes, úlceras no estômago e colesterol alto, além de usá-la como suposto auxiliar para emagrecer.

O que existe de pesquisa séria por trás disso é real, mas parcial. O composto mais estudado da casca, chamado trans-desidrocrotonina, já apareceu em estudos de laboratório e em animais com resultados que apontam ação anti-inflamatória, antioxidante e capaz de baixar açúcar e gordura no sangue. É esse conjunto de achados pré-clínicos que sustenta boa parte da reputação da planta. O problema é que, até hoje, não existe estudo clínico robusto em seres humanos que confirme, de fato, que o chá da sacaca trata diabetes, baixa o colesterol ou cura problema de fígado — a ciência ainda não fechou essa conta.

E há um alerta que pesa mais que qualquer promessa popular: o uso contínuo e prolongado da sacaca está associado a dano ao fígado. Documentação oficial de saúde já registrou sinais de necrose no tecido hepático de animais tratados por período prolongado, além de relato de morte associada ao consumo crônico da planta em humanos. Ou seja, a mesma casca usada tradicionalmente para "proteger" o fígado é, paradoxalmente, a que pode feri-lo quando consumida sem controle por muito tempo.

Por isso, sacaca não deve virar rotina sem orientação médica — e pessoas com doença hepática prévia, gestantes, lactantes e crianças precisam de cuidado redobrado, evitando o uso por conta própria. Nenhuma planta substitui diagnóstico, acompanhamento e tratamento de um profissional de saúde, e qualquer decisão de usar fitoterápicos amazônicos deve passar antes por essa conversa.

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