O cachorro, considerado o melhor amigo do homem, confirmou esse ditado popular em um dos momentos mais incríveis da medicina. Em 1922, na Universidade de Toronto, no Canadá, cientistas salvaram dezenas de crianças que estavam em coma, morrendo de cetoacidose diabética, ao injetar insulina nelas.
O animal entra nessa cena porque vários médicos já haviam avaliado que a solução para o problema estaria no pâncreas. E em 1889, os pesquisadores Oskar Minkowski e Josef von Mehring descobriram a insulina no pâncreas de um cachorro, mas tiveram dificuldade de isolar o hormônio que segrega a insulina.
Ao repetir o experimento em 1921, o médico canadense Frederick Banting e seu auxiliar, o então estudante de Medicina Charles Best, sacrificaram um cão para analisar seu pâncreas.
Os médicos cortaram a glândula em pedacinhos, congelaram numa solução com sal e a trituraram, filtrando o líquido, resultando em um extrato cor-de-rosa, que era a insulina. Depois de testado em animais, teve sua eficiência comprovada.
Em 1922, com o aprimoramento da técnica de coleta, a insulina passou a ser fabricada em série.
SALVAÇÃO
A descoberta do método usado ainda nos dias de hoje, rendeu ao médico um Prêmio Nobel de Medicina, por ter livrado da morte e do sofrimento milhares de pessoas
Os dois cientistas entraram para a história quando se dirigiram a uma enfermaria cheia de mães sentadas ao lado da cama esperando a morte inevitável de seu filho.
De cama em cama, injetaram nas crianças um novo extrato purificado de insulina, vendo uma a uma despertar do estado de coma.
Até o início dos anos 1920, não havia medicamento para Diabete mellitus, distúrbio no metabolismo da glicose do organismo, no qual a glicose presente no sangue passa à urina sem ser aproveitada pelo corpo.
A dieta era a única forma de tratamento, mas causava grande sofrimento e nem sempre era efetiva para impedir a elevação das taxas de açúcar no sangue.
Apesar da ajuda fundamental dos cães, atualmente, a insulina para medicamento é obtida em forma cristalina do pâncreas de bovinos e suínos. Ela é injetada no organismo através de uma aplicação subcutânea, ajudando o sangue a absorver a glicose.


