Briga entre facções deixou 56 mortos com requintes de crueldade no Compaj

Por Portal do Holanda

20/04/2021 11h44 — em Chacina no Compaj

Foto: Divulgação / Chacina ocorreu no dia 1º de Janeiro de 2017

Após 17 horas uma briga entre facções Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC), no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), situado no quilômetro 8 da BR-174, no dia 1º de Janeiro de 2017, resultou no saldo de 56 presos mortos, alguns com requintes de crueldade, com 30 deles sendo decapitados e alguns esquartejados. E cerca de 183 fugiram do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat).

Outros quatro presos foram mortos na Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, dos quais três foram decapitados. Três corpos também foram localizados nas proximidades do Compaj uma semana depois do massacre.

Com esses números, a chacina no Compaj, como ficou conhecido o evento, tornou-se o segundo maior massacre de presos no País em número de mortos, só perdendo para o ocorrido no Presídio do Carandiru, no estado de São Paulo em 1992, quando 111 presos foram assassinados também de forma violenta.

No intervalo de duas semanas naquele mesmo mês, aconteceram massacres em outros estados como de Roraima e Rio Grande do Norte que, somados ao de Manaus, resultaram na morte de 119 presos em um intervalo de duas semanas.

No dia 03 de janeiro daquele ano, a perícia já tinha conseguido identificar 36 dos detentos mortos, todos ligados à facção PCC, dos quais 10 foram liberados para as famílias, conforme o diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC), Jefferson Mendes. A identificação de vários corpos só foi possível por meio de impressões digitais ou DNA, tal o grau de violência praticado pelos agressores.

VIOLÊNCIA EXTREMA

Os corpos apresentavam fraturas diversas, marcas de estoques,  dilacerações e até degolamentos. Os mortos cumpriam pena por estupro e eram integrantes do PCC.

O presídio tem capacidade para 454 presos, mas tem três vezes mais presos do que deveria.

Uma investigação realizada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) concluiu que houve uma série de falhas que contribuíram para a chacina.

O relatório mostrou que, apesar de já existirem anúncios de que os presos iriam fazer uma rebelião, faltou comunicação rápida entre a polícia e a Secretaria de Administração Penitenciária. Os presos tinham pistolas, espingardas e armas improvisadas.

E também o acúmulo de processos da Vara de Execuções Penais, que reunia nada menos que 17 mil casos por ano, acabava por permitir injustiças no atendimento aos presos. E também a quantidade de apenas dois promotores do MPE para dar assistência à totalidade dos presos nos oito presídios locais.

Outra descoberta foi que uma festa de réveillon, com a liberdade de convidar amigos e familiares, ocorrida horas antes da chacina, teria facilitado a entrada de armas em presídio da cidade.

Na época, o juiz da Vara de Execução Penal, Luís Carlos Valois, que negociou com presos e a polícia para encerrar o confronto, foi didático ao responder a um internauta no seu perfil no Facebook o aconselhando pensar “positivo” em relação aos mortos: "São 50 a menos pra nos roubar, violentar nossas filhas ou esposas e levar pânico para as pessoas de bem!”.  A ele, o juiz respondeu: “Os que morreram eram bucha de canhão, os menores, os frágeis do sistema... O problema são os que mataram, que ficaram mais violentos, psicopatas, e um dia voltam para a rua”.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.