BRASÍLIA - No discurso de um ano de governo, o presidente Michel Temer alfinetou a ex-presidente Dilma Rousseff, mas pediu "pacificação". Nesta sexta-feira, sem citar nomes, Temer criticou a relação ruim da petista com o Congresso. Temer foi vice de Dilma de 2011 a 2016.
— Era preciso também, e isso é fundamental, estabelecer o diálogo. Que esse não havia. Aliás, foi desta ausência de diálogo que decorreu do passado, era difícil de governar. Faltava entrosamento entre Legislativo e Executivo. — disse o peemedebista, que voltou a pedir "pacificação". É a quarta vez que ele aborda o assunto em três dias, desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs pela primeira vez ao juiz Sério Moro, na Operação Lava-Jato. Houve forte esquema de segurança em Curitiba para evitar conflitos.
— Faltava pacificar o país. Nós não queremos brasileiro contra brasileiro. Nós queremos brasileiro com brasileiro.
As estocadas de Temer a Dilma Rousseff também vieram no material de propaganda do governo no primeiro aniversário. Um panfleto diz que o Brasil, "mergulhado no déficit e na mais profunda recessão de sua história", estava com dificuldades também no modo de "fazer política e governar".
O presidente se corrigiu ao dizer que estava comemorando um ano: seria apenas "registrando". Ele prometeu que no próximo aniversário de governo, em maio de 2018 — já às vésperas da campanha eleitoral —, entregará um país "reestruturado e muito mais feliz".
Temer voltou a dizer que tem o "dever" de liderar a "travessia", em referência à metade do mandato que herdou de Dilma Rousseff.

