A quantidade surpreende. Desde 1871 não eram descritas tantas espécies de aves brasileiras de uma vez só, em uma única obra. Não é à toa. Apesar de na Amazônia não ser raro de vez em quando descobrir um bicho novo, as aves são o grupo animal mais bem conhecido em todo mundo. Então não é de se esperar tantas novidades.
Foi justamente para causar esse choque que os pesquisadores resolveram juntar seus esforços e fazer uma publicação conjunta. "A verdade é que, ao publicar uma por uma, a informação passa por baixo do radar. E ninguém percebe o grande quadro que é: estamos em um momento muito especial na Amazônia, uma fase explosiva de descobertas", afirma Mário Conh-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
"Nossa ideia foi passar o recado de que a Amazônia ainda tem muita coisa nova", diz. Segundo ele, mais de uma dezena de novas aves deve ser descrita nos próximos anos.
Os achados. A maior parte dos achados ocorreu na porção entre o sul do Pará, o norte de Mato Grosso e o sudeste do Amazonas, região que inclui o chamado arco do desmatamento, o que coloca os animais em ameaça. Chama a atenção o caso de cinco espécies que foram encontradas em um local nunca antes estudado, no sul do Amazonas, entre os Rios Aripuaná e Roosevelt. O local fica próximo da fronteira com Rondônia, por onde a fronteira agrícola avança. De acordo com o pesquisador Luís Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, são endêmicas dali - ou seja, não ocorrem em nenhum outro local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

