A Polícia Federal já identificou indícios de que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria um dos destinatários das informações do esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sob a gestão do ex-diretor Alexandre Ramagem. A informação foi divulgada pelos jornalistas Aguirre Talento e Natália Portinari, colunistas do portal Uol.
Segundo os colunistas, esses elementos foram apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e serão aprofundados nas próximas diligências da investigação.
De acordo com a investigação da PF, as provas colhidas até o momento indicam que dossiês e documentos produzidos pela Abin paralela eram impressos e entregues ao Palácio do Planalto durante a gestão presidencial de Jair Bolsonaro.
Essas informações também se somam às provas apuradas em um inquérito anterior, sobre as interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal durante seu período como presidente da República.
A descoberta de que Ramagem imprimiu, em fevereiro de 2020, duas listas de inquéritos eleitorais em tramitação na PF do Rio de Janeiro reforça as suspeitas de ilegalidade nas pressões feitas por Jair Bolsonaro para ter o controle da Superintendência da PF do Rio naquele mesmo período.
As listas de inquéritos teriam sido repassadas a Ramagem por algum integrante da PF do Rio de Janeiro. Os investigadores vão identificar a origem da informação.
Procurada pelos colunistas, a defesa de Jair Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto. A defesa de Ramagem também não retornou aos contatos.

