De acordo com o inquérito, rotatórias viram jardins e acesso a vias são bloqueados indevidamente, em prejuízo ao fluxo dos moradores no resto da cidade. A CET diz que "prestará todas as informações aos questionamentos que sejam feitos a respeito dos projetos de traffic calming(moderação de trânsito) implantados na cidade". Segundo ela, vizinhanças fora do eixo classe A da cidade também foram beneficiadas, como bairros Grajaú e Horto do Ipê, no extremo sul da capital .
O pedido do MPE inclui o pagamento de indenização de R$ 10 milhões por bairro onde o programa foi implantado por danos causados à população, além de adaptar obras que tenham dificultado a passagem de veículos no prazo de seis meses. Essas alterações deverão ser feitas após audiências públicas e estudos de impacto de vizinhanças - os gastos teriam que ser cobrados das associações de bairro.
Os ajustes viários feitos em bairros mais ricos seriam, além disso, "discriminatórios". O MPE apurou que o programa não foi implantado em São Mateus, Vila Carmosina e Cidade Tiradentes, apesar da solicitação de moradores. Ainda segundo o Ministério Público, o programa prevê financiamento pelos próprios moradores mas, em algumas localidades, havia dinheiro das subprefeituras, o que tornaria injusta a exclusão de áreas carentes.
Jardins
Uma das vias alteradas pelo programa é questionada pela Promotoria em uma ação própria, proposta também na semana passada. Segundo o inquérito civil, a Rua Sampaio Vidal, nos Jardins, zona oeste da cidade, se tornou mão única em outubro de 2006, em um dos trechos, após solicitação da Sociedade Amigos dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano (Sajep). A associação afirmou desconhecer a ação proposta pelo Ministério Público e não quis se manifestar. No entanto, representantes da Associação Jardim Paulistano, que se declararam a favor da intervenção na Rua Sampaio Vidal, negaram a existência de uma "comunidade protegida˜.
Segundo a Secretaria do Planejamento da Prefeitura de São Paulo, apenas 3,68% da área do Município constituem zonas exclusivamente residenciais, onde o programa Comunidade Protegida pode ser implantado. "O programa atende, assim, parcela de reduzidíssima expressão quantitativa de moradores da urbe, em contraponto com o interesse difuso de circulação", afirma o promotor José Carlos de Freitas.



