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Mais de 33 mil crianças foram registradas sem o nome do pai em Goiás nos últimos seis anos

Levantamento do Registro Civil aponta 33.656 casos no estado desde 2020, com Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis concentrando os maiores volumes; no Brasil, são mais de 1,1 milhão

A falta do nome do pai na certidão de nascimento segue sendo uma marca expressiva nos cartórios de Goiás. Nos últimos seis anos, 33.656 crianças foram registradas no estado sem a identificação paterna, conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil. O quadro não mudou em 2026: entre 1º de janeiro e 22 de maio, 2.323 bebês goianos nasceram nessa condição. No país inteiro, o mesmo período somou 70.125 registros sem o nome do pai.

Os números se concentram nos grandes centros urbanos. Goiânia lidera com folga o ranking estadual: foram 7.756 casos entre 2020 e maio de 2026, em um universo de 141.344 nascimentos. Aparecida de Goiânia vem em seguida, com 3.725 registros sem paternidade declarada entre 42.426 nascimentos, e Anápolis aparece na terceira posição, com 1.989 casos em 36.141 nascimentos.

Fora da região metropolitana, outros municípios também acumulam volumes altos. Rio Verde registrou 1.302 ocorrências no período, seguida por Luziânia (1.059), Senador Canedo (861) e Águas Lindas de Goiás (788). Formosa (769), Planaltina (719), Jataí (399) e Caldas Novas (287) fecham a lista das cidades com maiores números absolutos. Somando todo o Brasil, mais de 1,1 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai entre 2020 e 2026.

Por trás dos números há um fenômeno social complexo, associado à vulnerabilidade socioeconômica, à fragilidade dos vínculos familiares e à dificuldade de acesso aos mecanismos formais de reconhecimento. Além do peso simbólico para a criança, a ausência da filiação paterna no registro pode gerar entraves práticos ao longo da vida, de processos judiciais a limitações no acesso a direitos. Apesar dos avanços institucionais e do maior debate público sobre o assunto, os dados indicam que o reconhecimento de paternidade permanece um desafio estrutural no país — e particularmente em Goiás.

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