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Recuperação de mangue na Baía de Guanabara, cartão postal do Rio, pode atrair peixe de 400 kg

Estadão

Uma área de manguezal degradada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, começa a apresentar sinais de recuperação após três anos de reflorestamento. O trabalho pode contribuir para a conservação de espécies que dependem desse ecossistema, entre elas o mero (Epinephelus itajara), peixe que pode superar 400 quilos.

A recuperação ocorre em cerca de 400 metros quadrados às margens do Rio Caceribu, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim. Desde junho de 2023, foram plantadas aproximadamente 1.250 mudas de três espécies nativas: mangue-preto, mangue-branco e mangue-vermelho. Algumas árvores já atingem cerca de três metros de altura.

A iniciativa é do Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, em parceria com a Cooperativa Manguezal Fluminense e a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA).

Além das mudas plantadas, o projeto identificou novas plantas e propágulos que surgiram naturalmente no terreno, sinal de que o manguezal começa a se regenerar sem intervenção direta.

"O que a gente viu é que há muitas mudas que já estão com aproximadamente três metros de altura. Elas crescem, mais ou menos, um metro por ano. Algumas foram replantadas na manutenção pela cooperativa nesse intervalo de tempo e muitas outras brotaram naturalmente", afirmou Luana Seixas, gerente de Redes e Relacionamentos do Projeto Meros do Brasil.

Para recuperar o terreno, foi utilizada uma técnica adotada há décadas pela Cooperativa Manguezal Fluminense. Plantas jovens são retiradas de áreas preservadas, onde crescem sob árvores adultas, e transplantadas para trechos degradados.

Segundo Alaildo Malafaia, vice-presidente e secretário da cooperativa, a intervenção foi necessária porque a vegetação original havia sido retirada e outras plantas ocuparam o espaço, dificultando a recuperação natural do manguezal.

"Quando houve a degradação, toda a madeira foi cortada e queimada para as olarias, produção de curral de pesca, escoras para construção civil, casas de taipa. Plantas oportunistas tomaram conta dessa área ao ponto que a própria resiliência do manguezal não foi suficiente para reflorestar de novo. A gente usa uma metodologia, limpando a área dessas plantas oportunistas, e faz o transplante, que é essa tecnologia social", explicou.

Os manguezais funcionam como abrigo, área de reprodução e berçário para diferentes espécies marinhas. Entre elas está o mero, considerado a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico. O peixe pode chegar a aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 quilos. A espécie é classificada como criticamente ameaçada de extinção na Lista Vermelha do Ministério do Meio Ambiente.

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