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Léo Pinheiro rebate defesa de Lula e diz que petista é o dono do tríplex

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SÃO PAULO - Em alegações finais na ação do tríplex, o empresário Léo Pinheiro, da OAS, reafirmou, nesta terça-feira, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o real proprietário do apartamento tríplex do Guarujá. A defesa sustenta que Pinheiro foi orientado a manter o imóvel em nome da OAS para encobrir identidade do real proprietário, que seria o ex-presidente.

“O triplex nunca foi posto à venda porque já tinha um dono e que as reformas foram executadas seguindo orientações dos reais proprietários do imóvel, o ex-presidente Lula e sua esposa”, escreveram os advogados José Luis Oliveira Lima, Rodrigo Dall’Acqua e Carolina Piovesan.

Pela manhã, Cristiano Zanin Martins, responsável pela defesa de Lula, pediu absolvição do petista em coletiva à imprensa, em São Paulo. Zanin argumenta que a OAS Empreendimentos deu o imóvel em garantia a recursos tomados de um fundo da Caixa e que, portanto, o apartamento pertence à empresa, não a Lula. O tríplex foi alienado (dado em garantia) em 2010 e mantido vinculado ao fundo da Caixa também nos aditamentos contratuais.

A defesa de Léo Pinheiro disse ainda que o projeto de reforma do tríplex foi aprovado na residência do ex-presidente em São Bernardo do Campo. Esclareceu que o triplex, bem mais caro que o apartamento efetivamente adquirido, não seria um presente. Os valores gastos pela OAS eram contabilizados e descontados da propina devida pela empresa ao Partido dos Trabalhadores (PT) em obras da Petrobras, tudo com a anuência do seu “maior líder partidário”.

Os advogados de Leo Pinheiro ainda apontam contradições na versão apresentada por Lula em seu interrogatório em Curitiba, no início do mês passado.

"O ex-presidente Lula, em seu interrogatório, admite que recebeu em sua residência, em São Bernardo do Campo, Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, mas alega que “apenas” conversaram sobre o sítio de Atibaia, sem nada falarem sobre o triplex no Guarujá. Pesando contra a credibilidade desta versão, vale rememorar que, na fase de inquérito, o ex-presidente Lula afirmou que não conhecia Paulo Gordilho, sendo que restou provado que o recebeu em sua residência e no sítio. A data desta visita em São Bernardo do Campo revela perfeitamente que ela serviu para a aprovação do projeto de reformas realizadas no triplex."

A versão da defesa do empreiteiro corrobora a tese apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em suas alegações finais. Os procuradores dizem que o apartamento está em nome da OAS mas seria do ex-presidente, como contrapartida por contratos que a OAS fechou com a Petrobras. A Força-Tarefa ressalta que apresentou um "enorme conjunto de provas" documentais, testemunhais, periciais, que incluem dados dados extraídos de afastamento de sigilo fiscal dos réus, fotos e mensagens de celular e emails trocados entre os réus.

Para eles, a dificuldade de produzir provas de que o apartamento pertence à família de Lula é fruto da profissionalização dos crimes de lavagem de dinheiro.

*Estagiário sob orientação de Mariana Timóteo

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