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Jucá recebeu vantagens indevidas para aprovar medidas de interesse da empresa, diz Odebrecht

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BRASÍLIA — Em depoimentos à Força Tarefa da Operação Lava-Jato, o lobista da Odebrecht Claudio Melo afirmou que deu vantagens indevidas ao líder do governo no Senado, Romero Jucá, para que matérias de interesse da empresa fossem aprovadas. O executivo disse que houve quatro propostas que houve interferência da companhia. Numa das medidas provisórias que transitaram no Senado, a empresa chegou a escrever as emendas que deveriam ser colocadas por Jucá no texto. Pela ajuda constantes, o político era chamado de "o resolvedor".

No depoimento ao Ministério Público Federal, Claudio Melo disse que durante a tramitação da MP 651, que dava estímulos às empresas abaladas pela crise, quatro emendas foram apresentadas pela Odebrecht.

— Foram levadas a ele, a pedido da empresa do grupo, algumas emendas e que foram por ele apresentadas. Mais precisamente a 259, 262, 271 e 272 —detalhou. — A gente entregava as notas técnicas e fazia essa discussão.

Segundo o delator, Jucá tinha a ideia de ser relator dessa matéria, mas acabou sendo o presidente da comissão que analisou a matéria. Questionado se houve algum pagamento de vantagem indevida, ele respondeu:

— No ano de 2014, o senador não era candidato a nenhum cargo eletivo, mas em determinado momento, ele me disse que o filho dele era candidato a vice-governador do estado de Roraima... — nesse momento o vídeo disponibilizado pelo Supremo Tribunal Federal é cortado.

Além da MP apelidada de "Pacote de Bondades", Claudio Melo cita ainda a MP da "Guerra dos Portos", sem detalhar o número. Ele diz que na tramitação dessa matéria, foi a primeira vez em que negociou vantagem indevida vinculada à aprovação da proposta. Até então, havia apenas doação de campanha.

— O senador Romero Jucá em algumas oportunidades dizia que os temas de discussão que a gente estava tendo, ao ele fazer a defesa certamente teria uma simpatia e a defesa do senador Renan Calheiros. Mas eu não tratei esse assunto com o senador Renan Calheiros.

Ele conta ainda que, a partir da entrada de Marcelo Odebrecht no comando da empresa, a equipe de Brasília passou a fazer um acompanhamento mais intenso de tramitação de MPs. No entanto, ressaltou que havia corrupção antes disso.

Citou rapidamente que houve pedidos de políticos baianos como Geddel Vieira Lima e Jaques Wagner. Não detalhou, entretanto, as negociatas. E disse que a Lava-Jato é importante para tentar alterar a realidade de como se faz política.

— A gente está tentando realmente mudar esse jogo.

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