Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 5 Jun (Reuters) - Os preços do milho seguem em queda neste começo de junho na maior parte das regiões produtoras do Brasil, com um indicador referencial no país marcando o menor patamar nominal em oito meses nesta semana, enquanto compradores estão afastados do mercado "spot" e a colheita da segunda safra está em fase inicial.
O preço do milho na quarta-feira fechou em R$64,51 a saca de 60 kg (base Campinas), o menor patamar desde 1º de outubro, quando encerrou a R$64,31 por saca, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No ano passado, o país colheu sua maior safra da história.
"Demandantes nacionais, além de possuírem estoques para o consumo no curto prazo, seguem atentos à colheita de segunda safra e às recentes quedas dos preços internacionais, que reduzem a paridade de exportação e, consequentemente, pressionam as cotações domésticas", disse o centro de estudos da Esalq/USP.
Na média das praças acompanhadas pelo Cepea, os preços recuaram 1,4% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e 0,6% no de lotes (negociação entre empresas) entre 28 de maio e 3 de junho, segundo o Cepea.
As quedas têm sido mais intensas em regiões produtoras, especialmente nas do Centro-Oeste, onde o Mato Grosso já realiza a colheita da segunda safra.
De 28 de maio a 3 de junho, o milho se desvalorizou expressivos 3,2% em Sorriso (MT), a R$43,91/saca. No mesmo período, as baixas foram de 1% em Rio Verde (GO) e em Chapadão do Sul (MS).
Do lado vendedor, os que não necessitam fazer caixa ou liberar espaços nos armazéns ainda limitam as negociações. "Neste caso, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na menor produção em 2025/26 e nos possíveis impactos na produtividade com a seca, principalmente em Goiás e partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná", apontou o Cepea.
A safra 2025/26 do Brasil, estimada pela estatal Conab em mais de 140 milhões de toneladas, é considerada por ora como a segunda maior da história, perdendo apenas para o recorde do ciclo passado.
Já no mercado de soja a liquidez está elevada neste início de junho, influenciada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida por parte da indústria doméstica de processamento, disse o Cepea.
"Esse cenário limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos", afirmou a análise.
O Indicador Cepea/Esalq - Paranaguá caiu 0,7% entre 28 de maio e 3 de junho, encerrando a R$130,02/saca de soja na quarta-feira.
(Por Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)



Aviso