BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reforçou ao Supremo Tribunal Fedeeral (STF) nesta sexta-feira o pedido de prisão preventiva do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele também se manifestou pela manutenção da prisão da irmã do senador, Andrea Neves da Cunha, do primo, Frederico Pacheco, e do assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) Mendherson Souza Lima. Janot solicita que o caso seja apreciado pelo plenário da corte com máxima urgência.
Segundo o procurador-geral, a prisão preventiva de Aécio é imprescindível. Ele destaca que "são muitos os precedentes do Supremo Tribunal Federal que chancelam o uso excepcional da prisão preventiva para impedir que o investigado, acusado ou sentenciado torne a praticar certos delitos enquanto responde a inquérito ou processo criminal, desde que haja prova concreta do risco correspondente."
“A manifestação demonstra, com a transcrição de conversas entre os envolvidos; que há fartas evidências tendentes a demonstrar que Andrea Neves, Frederico de Medeiros e Mendherson Souza Lima trabalham diretamente nos negócios escusos feitos pelo senador tucano . "Andrea Neves e Frederico de Medeiros trataram diretamente com Joesley Batista e Ricardo Saud, respectivamente, sobre a solicitação de propina no valor de R$ 2 milhões, ocorrida no ano em curso", diz o documento.
De acordo com Janot, Andrea Neves tem papel de protagonismo e existem provas contundentes de seu papel “na defesa do interesses criminosos dos seu irmão, o Senador Aécio Neves". Ainda segundo ele, a posição da irmã e do primo nos fatos não são isolados.
"A relação espúria que os une é muito anterior ao episódio mais recente de corrupção e as provas colhidas demonstram que há um risco concreto de que, caso não sejam mantidos presos, reiterem nas graves condutas delitivas e possam destruir eventuais provas existentes em relação aos fatos ilícitos envolvendo Aécio Neves e ainda não totalmente esclarecidos".
O PGR ressalta também que "não bastasse toda essa narrativa, vislumbra-se grande probabilidade de que a lavagem de parte dos R$ 2 milhões recebidos da propina paga recentemente pela J&F com participação direta de todos os requeridos ainda esteja em curso”.

