O governo federal apertou o cerco contra as transportadoras que ignoram a "tabela do frete". Na manhã desta quarta-feira (18), o Ministério dos Transportes anunciou um pacote robusto de medidas para garantir que o piso mínimo seja, finalmente, respeitado na prática.
A ofensiva é uma resposta direta à escalada dos preços do diesel e à forte articulação de lideranças dos caminhoneiros, que ameaçavam uma paralisação nacional caso a lei de 2018 continuasse sendo "letra morta" para as grandes empresas.
A principal arma do governo agora é a fiscalização 100% digital. Em vez de depender apenas de blitz nas rodovias, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) vai usar o cruzamento automático de dados para pegar infratores em tempo real.
"Não dá mais para levarmos isso [os descumprimentos] adiante sem sabermos quem não cumpre a tabela de frete", disse Renan. Segundo o ministro 20% das empresas não cumprem a tabela de frete", disse o ministro dos Transportes, Renan Filho.
As Medidas do Pacote:
Blitz Eletrônica Permanente: O sistema agora cruza os dados do Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte) e do MDF-e (Manifesto Eletrônico) com os valores da tabela oficial. Se o valor pago for menor, a multa é gerada automaticamente.
"Lista Suja" das Empresas: O governo prometeu dar transparência e divulgar os nomes das gigantes do setor que mais descumprem a regra. Gigantes como BRF, Ambev e Cargill já aparecem no topo do ranking de autuações recentes.
Punições Progressivas:
Multa imediata por descumprimento;
Suspensão do registro da empresa na ANTT em caso de reincidência;
Cassação definitiva para quem insistir em rodar fora da lei.
O diesel subiu e a conta não fecha. Com o aumento de 44% nas autuações só nos primeiros meses de 2026, ficou claro que a fiscalização física não era suficiente. O ministro Renan Filho destacou que "quem insistir em desrespeitar a tabela será efetivamente responsabilizado, do acionista ao transportador".
A regra é clara e o monitoramento agora é total", pontuou o governo durante o anúncio.
O objetivo central é evitar uma nova greve dos caminhoneiros. Com o cerco eletrônico, o governo espera que o valor do frete se ajuste automaticamente aos novos custos do combustível, acalmando os ânimos nas estradas.

