Com 21,5 km de extensão, o novo trecho que transpõe a Serra do Mar é composto de várias obras de arte, como seis viadutos e quatro túneis, sendo um deles com extensão de 5,5 mil metros, o maior túnel rodoviário do país. "Apenas para abrir esse túnel, foi necessário escavar 1,7 milhão de metros cúbicos de rocha", disse o secretário de Logística e Transportes do Estado, João Octaviano Machado Neto. O novo trecho liga o km 60,5 da Tamoios, em Paraibuna, ao acesso principal de Caraguatatuba, no km 82. A nova pista será utilizada para a subida da serra, enquanto a antiga será no sentido litoral.
A obra, ao custo de R$ 3,1 bilhões, foi executada pela construtora Queiroz Galvão, que detém o controle acionário da concessionária da rodovia. Cerca de 2.700 trabalhadores atuaram nos serviços, considerados um grande desafio de engenharia. A rodovia recebe tráfego diário de 11 mil veículos em cada sentido, volume que até triplica em feriados prolongados e em fins de semana da temporada de verão.
Conforme Octaviano, a expectativa é de que haja um aumento nesse volume de tráfego pela rodovia, já que são duas pistas a mais para o trânsito, e uma redução no tempo para descida e subida da serra. Segundo ele, ainda não é possível falar em números e porcentuais, pois depende de fatores como a época do ano e o tempo que os motoristas vão levar para "descobrir" a nova Tamoios. "Só vamos saber com a rodovia operando as duas pistas", disse.
GARGALO
Nos últimos anos, o trecho de serra foi o principal gargalo para quem viajou para o Litoral Norte. Mesmo com a reversão de uma faixa tanto para descer quanto para subir, grandes congestionamentos se formavam no trecho não duplicado. O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), acredita que o gargalo vai apenas mudar de lugar. "Na chegada a Caraguatatuba, todo o trânsito que vem por pista dupla, será desovado em pista simples. A duplicação da serra teve uma série de atrasos, mas ficou pronta e é um avanço importante, mas precisamos também dos contornos", disse.
Os contornos de São Sebastião e Caraguatatuba que interligam a Tamoios e a rodovia SP-55, conhecida como Rio-Santos, tiveram as obras iniciadas em 2013, mas pararam em 2018 com mais de 60% das obras feitas, devido a problemas com a empreiteira. Um acordo com o governo permitiu que a própria concessionária assumisse os trabalhos, que já foram retomados. O pacote prevê 46 obras, entre pontes e viadutos, além de seis conjuntos de túneis. Os contornos, que também farão a interligação do sistema viário com o Porto de Santos, devem ser entregues no final de 2024, segundo Octaviano.
No total, serão 33,9 km de novas pistas, segregando o tráfego rodoviário que hoje se mistura com o trânsito urbano das duas cidades. No contorno de São Sebastião está prevista uma praça de pedágio. Atualmente, a Tamoios já tem pedágios no km 16,1, em Jambeiro, e no km 59,3, em Paraibuna. O prefeito de Caraguatatuba, Aguilar Junior (MDB), disse que a entrega da duplicação da serra é um "sonho" para todo litoral norte. "Além de dar segurança para o turista e o veranista, atende nosso morador que transita com frequência pela Tamoios, trazendo melhores condições de trânsito, com mais rapidez e fluidez."
Segundo ele, haverá impacto positivo para o desenvolvimento turístico e comercial da região. "Em relação aos contornos, as obras foram retomadas recentemente e nossa expectativa é que elas possam ser concluídas o quanto antes. Esperamos ter as próximas temporadas de verão com um acesso mais fácil à nossa cidade, o que deve trazer mais turistas e desenvolvimento", disse.
HISTÓRIA
A construção da atual Rodovia dos Tamoios teve início em 12 de abril de 1932 e foi considerada uma epopeia. O coronel da Força Pública Edgard Pereira Armond, preocupado em melhorar as opções de acesso ao litoral norte, iniciou os trabalhos à frente de 15 soldados da corporação. A abertura da estrada começou pelo trecho mais difícil, no Alto da Serra. Como o pequeno grupo não dava conta da envergadura da obra, Armond contratou 30 auxiliares civis que se juntaram aos militares.
Em 1957, a estrada de pista simples foi pavimentada pelo método conhecido como asfalto "virado". Dez anos depois, o município de Caraguatatuba foi atingido por uma catástrofe climática que destruiu o trecho da serra e foi necessário reconstruir a rodovia, com tecnologia mais moderna. Em 1970, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) introduziu novas melhorias, inclusive para desviar a rodovia do trecho inundado pelo enchimento da barragem de Paraibuna.
A duplicação concluída agora foi iniciada em 2012 pelo então governador Geraldo Alckmin, que entregou o trecho do planalto, com quase 50 km (do km 11,5 ao 60,5), em janeiro de 2014. No mesmo ano foi lançado o edital para o trecho da serra. Em outubro de 2014, o consórcio Litoral Norte, liderado pela Queiroz Galvão, venceu a concessão da Tamoios.

