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Diretor-geral quer reduzir exposição da PF no noticiário

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BRASÍLIA - Por ordem do diretor-geral delegados da Polícia Federal se recusaram a participar de uma entrevista coletiva em que apresentaram nesta quinta-feira os pontos principais da Operação , investigação sobre os maiores doleiros ainda em atividade no país. Segundo um auxiliar do diretor, a determinação agora é reduzir ao máximo entrevistas de representantes da polícia sobre investigações criminais. A diretriz, se levada adiante, representará uma guinada na linha de atuação da polícia. Até então delegados da disputavam com procuradores o protagonismo nas grandes operações de combate à corrupção.

Na semana passada, o presidente Michel Temer reclamou duramente de suposto vazamento de informações sobre ele que estariam no inquérito sobre o decreto dos portos, conduzido pela Polícia Federal. Temer determinou abertura de inquérito para apurar o caso, e numa manifestação pública, chegou a insinuar que o suposto vazamento teria partido da própria polícia. A assessoria do diretor-geral afirma, no entanto, que a mudança no perfil da polícia vem ocorrendo desde que Galloro tomou posse, em dois de março deste ano. Mais discreto que o antecessor Fernando Segovia, o novo diretor não quer dar entrevista e, em recente encontro com superintendentes, sugeriu que os colegas fizessem o mesmo.

Galloro estaria tentando evitar os erros atribuídos a Segovia. O ex-diretor se inviabilizou no cargo depois de dar seguidas entrevistas diminuindo a importâncias das investigações sobre Temer na Lava-Jato. Numa entrevista, logo depois de empossado no cargo de diretor-geral, Segovia disse que uma mala de dinheiro não seria prova suficiente de corrupção contra Temer. A mala mencionada por ele era uma das bases da denúncia formulada contra o presidente pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Numa outra entrevista às vésperas do carnaval, o ex-diretor disse que o inquérito sobre os portos estava perto do fim e que certamente seria arquivado por falta de elementos contra o presidente.

Segundo um assessor, Galloro já falou com superintendentes sobre "o novo perfil" da polícia. O assunto deve ser tema também de encontro de chefes das assessorias de imprensa das superintendências da PF em todo o país. Não há uma ordem clara para impedir contato direto de policiais com jornalistas. Nem acabar de vez com entrevistas coletivas sobre operações. A proposta, no momento, seria redefinir critérios e analisar a conveniência da manifestação pública conforme as características de cada investigação.

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