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Deputado presidiário volta à Câmara, mas diz não se sentir 'no direito' de tentar reeleição

Estava em regime fechado

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Deputado presidiário volta à Câmara, mas diz não se sentir 'no direito' de tentar reeleição
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BRASÍLIA — Em seu primeiro dia de trabalho após migrar para o regime semiaberto, o deputado João Rodrigues (PSD-SC) disse que não deveria ter passado os 110 dias preso em regime fechado na Papuda, onde dividiu a cela com o ex-ministro petista José Dirceu. Segundo ele, o crime – cometido em 1999 – a que foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) já deveria ter prescrito. Condenado a cinco anos e três meses por fraude em licitação, ele disse que não pensa em concorrer à reeleição, a não ser que seja absolvido, já que não se "sentiria no direito" de pleitear mais um mandato de deputado.

Ele também anunciou que se afastará de todas as comissões das quais faz parte, inclusive a que analisa uma revisão do Código de Processo Penal. A partir de agora, ele dormirá na prisão, mas poderá ir à Câmara durante o dia para trabalhar.

— Só posso tentar disputar uma reeleição se tiver a absolvição ou a prescrição. O eleitor brasileiro tem que votar naquele que é ficha limpa — disse, aproveitando para se defender em seguida: — Acho errado um deputado que faz leis estar na cadeia por roubo, mas este não é o meu caso.

Ele disse estar "machucado, pisado, humilhado", e afirmou estar preso por algo que não praticou, e por um crime que não existiu. Rodrigues alega que assinou apenas o início do processo licitatório para a compra de uma retroescavadeira para o município de Pinhalzinho (SC), quando era vice-prefeito e assumiu o comando da prefeitura temporariamente. Mas o seguimento do processo não foi feito por ele, e sim pelo titular do cargo.

— Só não abri mão do meu mandato porque, se não, seria réu confesso — diz.

Nos quatro meses em que esteve em regime fechado na Papuda, Rodrigues conta que conversava com Dirceu e outros colegas de cela, como o ex-senador Luiz Estevão, "sobre tudo", especialmente sobre o momento atual. Diz que não conversava muito sobre política com o petista, pois é do "baixo clero" da Câmara. Além do mais, sempre foi rival do PT em Santa Catarina.

— Está tudo meio errado no nosso país — reflete.

O deputado, que foi flagrado vendo vídeos pornográficos no plenário da Câmara em 2015, disse que teve muito tempo para pensar na vida enquanto esteve no cárcere. E avalia que "lá dentro, existe uma fábrica de criminosos, uma indústria de bandidos".

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