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Construtores de carros alegóricos podem ter registros cassados, diz Crea

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Construtores de carros alegóricos podem ter registros cassados, diz Crea
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O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro, (Crea-RJ), Reynaldo Barros, disse nesta terça-feira que os construtores dos carros alegóricos envolvidos nos dois acidentes ocorridos na Avenida Sapucaí durante o carnaval deste ano, assim como diretores das escolas de samba que os levaram ao Sambódromo, poderão ser responsabilizados pelas falhas. Se for comprovada a negligência de um profissional, ele terá seu registro cassado.

— Todos os trabalhos de estruturação de carros alegóricos têm um responsável técnico, um engenheiro, cuja responsabilidade é definida através de um instrumento, a chamada Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Normalmente, uma escola aponta a autoria de seus projetos, que precisam ter o cálculo de estrutura e as dimensões do veículo. E um profissional, que pode ser o mesmo que o assina, deve acompanhar a execução. Um engenheiro mecânico fica com a parte de estrutura; um elétrico, com a das fiações. O nomes desses profissionais são entregues ao Crea-RJ — diz Barros, acrescentando que o conselho convocará uma reunião com representantes da Liesa e das escolas de samba nas quais ocorreram as falhas: o objetivo será esclarecer as causas dos acidentes.

Desde 2001, o Crea-RJ fiscaliza os barracões da Cidade do Samba, para verificar as condições de segurança no trabalho de montagem de fantasias e carros alegóricos. As empresas e os profissionais que realizam esses serviços devem apresentar uma série de ARTs, que incluem informações sobre distribuição de energia elétrica, sonorização e iluminação, além de testes de cargas.

De acordo com o conselho, todos os carros alegóricos devem ser dirigidos por profissionais especializados, que precisam seguir uma série de normas técnicas.

Especialista vê ligação entre crise e desastres

Desde 1980, quando o ator e figurinista Mauro Rosas teve nove costelas fraturadas ao despencar de um carro alegórico da Unidos de São Carlos, o Rio não via um acidente tão grave em um desfile de carnaval. Especialista em segurança de grandes eventos, Andréa Nakane, professora da Universidade Metodista de São Paulo, afirmou que os desastres deste ano podem ser um reflexo da crise econômica, que tem levado agremiações a reaproveitar estruturas. Além disso, ela chama a atenção para a falta de ações preventivas e diz que a fiscalização de itens de segurança precisa ser mais rigorosa.

— Com a crise dos últimos anos, as agremiações vêm reaproveitando materiais, mas há um momento em que o ciclo de vida deles termina e não é possível mais utilizá-los. Além disso, os carnavalescos, na ânsia de apresentar alegorias grandiosas, acabam negligenciando a segurança das estruturas dos carros, que são repletos de efeitos especiais e produtos inflamáveis — afirma Andréa.

Segundo a especialista, o acidente com Mauro Rosas levou à adoção de uma série de normas no carnaval do Rio, mas falta controle.

— São necessárias normas e uma fiscalização mais rigorosa antes da realização de grandes eventos. É um absurdo que tenha ocorrido dificuldade até para prestar os primeiros socorros e que os desfiles tenham continuado, apesar da grande quantidade de vítimas. A festa seguiu diante de pessoas gravemente feridas, ensanguentadas. Isso é uma aberração — diz Andréa.

Andréa afirma ainda que as autoridades e a organização do carnaval do Rio têm de escolher uma voz de comando, alguém que possa paralisar o evento em caso de acidente:

— Não é possível que o espetáculo continue sem levar em conta a vida. Agência: O Globo.

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