BRASÍLIA — A Comissão de Ética da Presidência (CEP) abriu processos contra seis ministros. Nesta segunda-feira, o colegiado interpelará aos ministros se levaram, em voos da Força Aérea Brasileira (FAB), pessoas sem vínculo com a administração pública. Serão questionados os ministros: Maurício Quintella Lessa (Transportes), Sarney Filho (Meio Ambiente), Helder Barbalho (Integração Nacional), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), e o ex-ministro Bruno Araújo, que estava à frente do Ministério das Cidades.
Na próxima quinta-feira, Imbassahy sairá do ministério, mas continuará sendo investigado pela CEP. Segundo a “Folha de S. Paulo”, essas autoridades levaram parentes, amigos e representantes do setor privado em voos da FAB, o que é proibido por lei.
O procurador-chefe do Cade, Walter de Agra, terá de esclarecer à comissão se procurou mudar o regimento interno para nomear Gustavo Benevides, filho de um sócio, como coordenador-geral de Matéria Administrativa do órgão. A informação também é da “Folha de S. Paulo”.
Já o ex-diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, receberá salário integral por seis meses, por conta de quarentena. A comissão entendeu que poderia haver conflito de interesses se Daiello trabalhasse na iniciativa privada nesses primeiros meses após deixar a chefia da corporação. Enquanto isso, ele não poderá fazer outros serviços.
Foram arquivados processos contra três ministros: Luislinda Valois (Direitos Humanos), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia) e Torquato Jardim (Justiça). A apuração em relação a Luislinda concluiu que não houve desvio ético em recebimentos indevido de diárias, já que ela devolveu os valores ao governo. Ainda,
O colegiado decidiu encerrar o processo contra Torquato que corria em razão de declarações que fez sobre a segurança pública no Rio. No mês passado, ele acusou o governo fluminense de conivência com a corrupção na Polícia Militar.
Já Kassab não é mais investigado por conta das delações da JBS, na medida em que o relator do caso, Marcelo Figueiredo, considerou que ele não era ministro no tempo das denúncias.
A comissão recebeu aval do relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, para ter acesso à íntegra de conversas do empresário da JBS Joesley Batista com o ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, e com Antônio Carlos Ferreira, ex-vice presidente da Caixa. O pedido havia sido feito no fim de outubro. Em delação, o dono da JBS disse que pagou R$ 6 milhões de propina a Pereira. O vice da Caixa seria um intermediário do ministro. Em troca, teria ajuda para liberação de empréstimo no banco.

