A desaprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer e alcançou 50,7% em novembro, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (2). O índice representa um avanço de 2,6 pontos percentuais em relação ao levantamento de outubro, quando o percentual de brasileiros que rejeitavam o governo estava abaixo dos 48%. A aprovação caiu para 48,6%, ante 51,2% no mês anterior.
O estudo ouviu 5.510 pessoas entre os dias 22 e 27 de novembro, com margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. Os números mostram um cenário de divisão na avaliação do governo, com variações importantes entre recortes de gênero, idade, escolaridade, religião e região do país.
A pesquisa indica que a aprovação de Lula é maior entre mulheres (58,4%), pessoas com ensino fundamental (57,4%), eleitores de 45 a 59 anos (61,7%) e beneficiários do Bolsa Família (55,5%). No recorte regional, o Nordeste segue como principal base de apoio, com 58,7% de avaliação positiva. Já entre famílias com renda acima de R$ 10 mil, a aprovação se eleva a 62,2%. O grupo com maior nível de apoio ao presidente é o de agnósticos e ateus, com 82,1%.
Por outro lado, a desaprovação predomina entre homens (61,1%), pessoas com ensino médio (63,1%) e jovens de 16 a 24 anos (68,1%). Entre quem não recebe o Bolsa Família, o índice também é maior (52,6%). No Centro-Oeste, a rejeição chega a 69,9%, a mais alta entre todas as regiões. Famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil apresentam desaprovação de 63,2%. O grupo com maior rejeição é o de evangélicos, com 72,1%.
Os resultados reforçam o desafio do governo em reconquistar apoio em segmentos estratégicos do eleitorado, especialmente entre homens, jovens e moradores de regiões onde a avaliação negativa cresce de forma acelerada. A pesquisa também chega em um momento de intensa articulação política, marcado por votações no Congresso e debates sobre segurança pública — tema que, segundo estudos recentes, se tornou prioridade para parte significativa dos eleitores lulistas.
A divulgação coincide ainda com uma série de movimentações em Brasília, incluindo encontros de Lula com parlamentares e discussões internas no PT sobre estratégias de comunicação e políticas de segurança. O cenário mostra que, a menos de um ano do início do último biênio do mandato, a popularidade do presidente enfrenta oscilações importantes em meio ao ambiente político e econômico do país.

