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Defesa de Bolsonaro alega que equipe desarmou ex-presidente devido a medicamentos psiquiátricos

Defesa de Bolsonaro alega que equipe desarmou ex-presidente devido a medicamentos psiquiátricos
Foto: Fabio Pozzebom

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou explicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), sobre a apreensão de uma de suas armas com um segurança particular. No documento encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados revelaram que a própria equipe de segurança havia tornado a pistola inoperante, sem o conhecimento do ex-presidente, devido ao impacto de medicações psiquiátricas na cognição do político.

De acordo com a petição, os remédios ministrados a Bolsonaro foram os mesmos fatores determinantes no episódio de novembro de 2025, quando o ex-presidente tentou romper sua tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda durante um período anterior de prisão domiciliar. Na ocasião, ele alegou sofrer de alucinações e paranoia causadas pelos efeitos colaterais dos medicamentos.

A defesa explicou que Bolsonaro manipulou a pistola — uma Glock 9mm registrada regularmente em seu nome — e, ao testar o disparo, percebeu que o mecanismo não funcionava. Sem saber que a peça de disparo (o percursor) havia sido retirada por sua equipe para evitar riscos à sua integridade, o ex-presidente pediu a um de seus seguranças que levasse o armamento para manutenção.

"A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção", afirmou a defesa, destacando ainda que Bolsonaro não tem interesse em reaver a arma enquanto permanecer em regime domiciliar.

O esclarecimento atende a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, que deu um prazo de 24 horas para que a situação fosse explicada, após a arma ser recolhida em uma fiscalização de trânsito.

A pistola foi apreendida na madrugada da última segunda-feira (15) pela Polícia Militar do Distrito Federal, durante uma blitz na rodovia DF-001, na região de Taguatinga.

O veículo era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, cedido para a segurança pessoal de Bolsonaro. Embora o armamento estivesse com o registro regularizado junto ao Exército, o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no carro no momento da abordagem. O militar prestou depoimento à Polícia Civil do DF detalhando que levava o objeto para conserto e foi liberado. A arma permanece apreendida.

Jair Bolsonaro cumpre atualmente uma pena unificada de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está em regime de prisão domiciliar humanitária por um prazo inicial de 90 dias, concedido pelo STF para o tratamento de uma broncopneumonia.

Em nota oficial sobre o episódio da apreensão:

  • O Gabinete de Segurança Institucional (GSI): Informou que não realiza a segurança de ex-presidentes e explicou que os servidores à disposição de Bolsonaro são de livre escolha do próprio político, sem subordinação ou vínculo operacional com o órgão.

  • A Polícia Militar do DF: Confirmou que a condução do veículo e da arma à 21ª Delegacia de Polícia ocorreu estritamente pela falta de comprovação documental do armamento no momento da fiscalização.

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